10 Melhores discos pra ficar feliz com a tristeza alheia – por Leonardo Brasas

Por Leonardo Braseiro

Ao som de: Aceito seu coração_Roberto Carlos_1969

Essa lista só não é mais triste que o Sad Keanu...abudeusi, dá vontade de dar um abraço nele...

Particularmente falando, sinto um paradoxo muito excêntrico quando fico sabendo de notícias sobre tragédias naturais apocalípticas, ataques suicidas de terrorismo, assassinos seriais absurdamente psicóticos e toda desgraça em geral: Ao mesmo tempo em que sinto uma extrema alteridade e empatia pelos mortos e sobreviventes sinto também uma enorme alegria por esta merda toda não ter acontecido comigo.É aquele clássico sentimento do: “Ainda bem que não foi comigo”;sentimento este que acaba sendo bom, pois o faz repensar o caminho, aproveitar as pequenas coisas e principalmente valorizar a vida.Olhando por este prisma notei que musicalmente falando adoro discos, músicas e artistas tristes, deprimidos e suicidas.Pelo simples fato de que a desgraça alheia me faz feliz por não ser eu o desgraçado em questão, mas diretamente falando é porque: música  triste me deixa feliz!

Baseando-se neste preceito egoísta-humanitário (eu realmente deveria me alistar na Cruz Vermelha ou na Juventude Hitlerista…dúvida cruel) elaborei esta lista dos 10 melhores discos pra ficar feliz com a desgraça/tristeza alheia.E parafraseando Woody Allen:

“A vida é uma merda, mas passa rápido demais.”

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Lendo livro sobre Vampiros! Não acredito…

Ao som de:  You Think I Ain’t Worth A Dollar But I Feel Like A Millionaire_ A Songs For the Deaf _ Queens of The Stone Age

Se fosse a uns 2, 3 anos atrás, no auge da “saga” Crepúsculo, até eu estranharia a afirmação acima.

Stephenie Meyer, a infame criadora dos vampiros brilhantes e lobisomens/fetiche adolescente, transformou tudo que existiu nas boas histórias de vampiro em um bolo confuso, chato e melodramático para consumo imediato das mentes juvenis.

Até ai, nada de demais.  Em todos o período da minha existência, sempre existiram essas armações caça níqueis para retirar o bom dinheiro e a paciência dos pais dedicados a alegrarem suas filhotas com hormônios em ebulição.

Mas zoar com os vampiros, putz…essa pegou bem mal.

Dos monstros clássicos da literatura/cinema/cultura universal, os vampiros sempre tiveram seu espaço garantido a base do derramamento de sangue, do mistério e da violência. Tudo bem, tivemos a Anne Arroz Rice com aquela “Entrevista (enjoada) com Vampiro”, mas via de regra, os sugadores sempre tiveram seu charme.

E agora? Sobraram somente vampiros brilhantes e existencialistas…vegetarianos (deus, como assim…vampiro que recusa sangue?) e chatos. Porra Edward, manda ver com essa Bella logo e sai dessa seca de sexo de trocentos anos rapaz!

Mas enfim, não é meu objetivo ficar detonando a “Saga” prepúcio Crepúsculo. O objetivo mesmo e falar sobre aquele outro livro sobre Vampiros.  É a “Trilogia da Escuridão”, escrita por Chuck Hogan e o multitarefas Guillermo Del Toro. Continue lendo

O Capa…ou, boas séries para 2011!

Ao som de: Long Time_Cake_Showroom of Compassion (2011)

 

Direto e reto: The Cape e Todd and the book of pure evil(sobre essa, falo daqui a pouco) já são duas séries bem interessantes nesse início de ano.

E olha que eu não acreditava que uma série sobre héroi coxinha de capa e tudo o mais e outra sobre satanismo e adolescentes pudesse fazer tanto sucesso.

Depois de Heroes, tudo que abordasse o tema “super héroi com poderes” na tv me causava ânsia de vômito. Estava traumatizado mesmo.

Eis que em minhas andanças pela net, vejo essa tal de “The Cape”… senti o frio na espinha, mas resolvi seguir em frente e assistir. E não é que é bem legal. Continue lendo

Uma pequena observação…ou não tão pequena.

Ao som de:  I do believe_Drive by truckers_ Go, Go Boots (2011)

A algum tempo atrás postei um breve texto falando sobre minha admiração pelas gêmeas Giselle e Michelle Batista. E continuo mesmo apaixonado platonicamente por essas belas senhoritas.

Ai, ai…

Mas o que mais me chamou a atenção é que este post é um dos mais visitados no Bonachovski, principalmente por causa de uma tag que coloquei nele. Mulheres Nariz Grande.

Pensei que só eu fosse um apreciador dos narizes pronunciados (que fique bem claro: nariz grande não necessariamente nariz de bruxa de conto de fadas tá?)

Logo, eu conclamo os apreciadores de um belo nariz a enviarem imagens de mulhres bonitas e seus belos narizes. Pode ser? No aguardo aqui…enquanto isso, eis um belo nariz!

Lucas Bonachovski…e sua apreciação por narizes…um pouco maiores que o convencional…ainda mais se estiverem com um óculos bonito em cima…hum…fetiche…

Marvel, DC e suas novas animações: novo campo de batalha

Ao som de: Lunasa_Karen Elson_The Ghost Who Walks (2010)

Marvel e DC a tempos estão se degladiando para arrebatar o bolso coração dessa raça mais ou menos que é o bom nerd quadrinheiro.

Novas sagas (geralmente de gosto e qualidade duvidosas), no cinema e agora, nas novas séries animadas que estreiam (ou continuam) nesse ano.

Então, sem mais delongas, analisando The Avengers e Young Justice, as duas novas animações para TV da Casa das Ideias e da Distinta Concorrente Continue lendo

Feliz Ano Novo…e agora?

Ao som de: 01 – Acheron/Unleashing the Orb_Warp Riders_The Sword

 

Pensativo...como Darth Vader...

Acabo de abrir uma heineken. Ah, um doritos também. Não sei se foi instintivo, ou se no meu subconsciente eu já estava me preparando para o que irá acontecer agora.

Enfim, faltam 4 minutos para o segundo dia do ano e eu resolvi fazer minha lista de prioridades para 2011. Acho que por isso a cerveja: se fosse tão fácil assim, eu não precisaria de um incentivo alcoólico.

Vou logo avisando: o que se seguirá a partir daqui será a tentativa torturante de um homem tentando entender a si mesmo. Tá, eu podia mesmo fazer isso em meu quarto, sem expor minha vida a todos. Mas escrever me ajuda a pensar. E além do mais, eu só tenho uns 7 leitores quase fiéis, os quais me conhecem mais do que eu mesmo me conheço, as vezes. Então, nada de demais até aqui.

Por onde começar? Uma dieta? Seria clichê demais. E eu não me arrependo nenhum pouco de ter entornado algumas cervas e ter comido chilli a noite inteira. Esse lance de “não estou bem com o que tenho”? Passo. Continue lendo

Meus dois melhores auto-presentes de Natal_parte 2

Ao som de: Sweet Leaf_Master of Reality_Black Sabbath (1971)

(Pronto Ryunoken, tá ai o segundo presente…rs)

Tá, eu admito. Quando eu era jovem, a muito tempo atrás em uma galáxia não tão distante…eu já fui um tanto headbanger. Não daqueles extremistas (leia aficcionado por black metal). Eu até era bem sociável. Mas mesmo assim, já andei com camisetas de bandas, usei all star sem lavar durante meses e já devo ter gritado “ero, ero, ero pau nó %$ do pagodeiro”.

Bom, o tempo passa (amém) e os comportamentos mudam, você amadurece e vê que existe vida além do metal. Mas o que ficou desse tempo é o bom gosto pelas guitarras distorcidas e rápidas do heavy metal.

Não dá pra negar que o Black Sabbath teve um efeito arrebatador na minha visão sobre a música. Em uma época que o meu acesso ao rock em casa era o Legião Urbana (tá, vergonha alheia pra mim agora), o Creedence e o Dire Straits e muito do grunge nos anos 90, descobrir o Sabbath, o Led Zeppelin e outras bandas precursoras dos anos 60 foi como achar um baú do tesouro. Mas logo viria o Maiden, com o saudoso “Best of the Beast” e minha vida nunca mais foi a mesma.

Isso tudo nos leva ao meu SEGUNDO auto-presente de Natal. Esse ai:

Título: Heavy Metal – A História Completa
Título Original: Sound of the beast – The Complete headbanging history of Heavy Metal
Autor: Ian Christe
Tradução: Milena Durante e Augusto Zantoz
Editora: ARX (R$49,90)

Ian Christe, o autor desse compêndio sobre a história do metal, escreve para várias revistas influentes da Europa e dos EUA. Gabarito o cara tem. A grande sacada de seu livro é que ele é um apaixonado por heavy metal. Isso transparece em seu texto constantemente, o que torna a leitura ainda mais interessante.

Mais além, o livro mostra como o metal surgiu como meio de ocupar uma lacuna musical e comportamental nos anos 70, em uma cena cultural dominada pela disco music e o punk. O movimento hippie não mais conseguia exprimir a insatisfação da juventude e o heavy metal chutou o balde dos ideais “flower power” de paz e amor para dar vazão a raiva e a insatisfação de um período marcado pelo Vietnã e pela Guerra Fria.

Tendo como marco inicial o surgimento e desenvolvimento do Black Sabbath, o metal viria a se transformar e a se desdobrar em várias vertentes distintas. Na Inglaterra, o New Wave of Britsh Heavy Metal, que carregava em sua bagagem bandas como Motörhead, Iron Maiden e Judas Priest viria a influenciar os jovens americanos de maneira intensa, levando ao surgimento do trash metal do Metallica, Slayer, Anthrax. E o livro ainda passa pelo surgimento do Black Metal e o “inner circle” (dos incendiários de igrejas cristãs, lembra?) até a clássica rixa entre Burzum e Mayhen (todo fã de metal tinha que saber que o bicho do Burzum matou o bicho do Mayhem, óbvio – nas palavras do meu bom amigo Marmota).

Enfim, da ascensão ao ostracismo até o retorno triunfante, Heay Metal – A história completa é um documento importante que ajuda a entender como definitivamente o heavy metal se instalou em nossas vidas, quer você goste ou não.

Vale a pena gastar um dinheirinho ai nesse natal. Larga de ser pão-duro e compre um livro (ou uma hq boa também!)

Lucas Bonachovski, que agora está pensando seriamente em deixar o cabelo crescer e tocar baixo em uma banda…não, mentira, não conseguiria uma semana como cabeludo…eco…

Meus dois melhores auto-presentes de Natal_parte 1

Ao som de: I Want You To Know_Farm_Dinossaur Jr. (2009)

Como é tradicional no Natal, eu odeio (quase) todos os presentes que me dão. Calma mundo, não se culpe, sério. Não é culpa de ninguem eu ser tão chato e seletivo com o que visto/leio/ouço/uso como forma de entrar em outros estados de percepção.

Por isso, eu mesmo costumo comprar meus presentes de Natal, pra evitar o stresse e o sorriso amarelo ao dizer “nossa, era o que eu queria” ao receber uma caixa de meias ou de cuecas, ou um cd da Maria Gadú (Ximbalaiê é o caralho, só pra constar).

Então, sem mais delongas, meus dois melhores presentes desse ano foram:

Vida – a biografia de Keith Richards (editora Globo)

Tá, vai dizer que você também não quer saber mais sobre a vida de um cara que misturou as cinzas do próprio pai em uma carreira de cocaína?

Keith Richards é uma lenda, fato. O sujeito é uma das pedras fundamentais dos Stones (juro, a infâmia de pedra e “Stones” só me surgiu agora), é um dos guitarristas com mais personalidade destes tempos musicalmente infame que vivemos…e sem sombra de dúvidas já ingeriu mais drogas do que qualquer ser humano.

No entanto, descobrir aos poucos o que fez Richards se tornar tão genial é uma viagem a parte. De jovem que não se encaixava no que era imposto em uma rígida sociedade londrina pós Segunda Guerra a rock star desorientado, ocorreram muitas idas e vindas. O livro (até onde li…tá, to escrevendo mesmo sem ter acabado…) mostra um sujeito obcecado por absorver as influências e tocar como os maiores blues man norte americanos, como Muddy Waters, Bo didley e B.B King, mas que também começa a entender que o rock’n roll já estava se tornando um fenômeno cultural que mudaria o mundo. O início dos Stones, com Mick Jagger e Brian Jones em uma casa sem aquecedor em pleno inverno londrino. Charlie Watts entrando pra banda, o início do sucesso dos Stones na Inglaterra e posteriormente nos EUA/mundo…e o primeiro baseado.

Enfim, é incrível ver como o talento/esforço levaram Keith Richards ao sucesso (que nem era seu objetivo principal ao tocar com os Stones). E, mesmo sendo extremanete piegas, vale ressaltar que Richards é um exemplo de que paixão pelo que se faz pode te levar a alcançar seus objetivos (no caso dele, SÓ tocar com Muddy Waters…).

Presentão…mesmo…e agora, vou ler mais um pouquinho…

Lucas Bonachovski, querendo agora se tornar um astro do rock tocando xilofone…sim, eu posso!

Previously, on Bonachovski’s Blog…

Ao som de: Todos estão surdos_Pato Fu_Música de Brinquedo

Bom, a quase um ano atrás produzi meu último post para esse bendito repositório de textos inúteis que quase ninguem lê.

E muita, muita coisa aconteceu nesse espaço de tempo, entre o final de 2009 e agora, final de 2010.

Acabaram-se alguns traumas e entraves. Terminei a bendita monografia, meu monstro de estimação. Terminei um ano completo em sala de aula (meu karma, agora abraçado de vez). Não comecei nenhum namoro pra não correr o risco de terminar um namoro. Por via das dúvidas, me dei um tempo de prazo pra não enlouquecer, perdido no mundo dos relacionamentos. Ah, e não decidi me tornar homosexual, como um muy amigo falou que ia acontecer.

No entanto, ainda estive em completo estado de letargia para produção de inutilidades. Mas isso mudou.

O que ocorreu então? Bom, Existem poucas coisas nas quais eu me considero bom. Sério, não é drama nem trauma, nem nada. É uma constatação. Bom, eu queria mesmo ser bom em sei lá, preparar drinks ou lutar boxe. Mas nunca tentei treinar nada disso (cansa, sabe como é…). Por isso, resolvi investir onde realmente acredito que posso fazer algo útil e de qualidade…não, não é ser professor, isso é karma lembra?

Por isso, eis-me aqui novamente escrevendo sobre coisas nerds e afins. Tentei virar um “tumbleiro” mas se você, bom leitor, já acompanhava o Bonachovski das antigas, sabe que eu sou um cara verborrágico. Aquele espacinho não conteve minha torrente de informações e observações sobre o nada.

Bom, mudei o nome (a minha sociedade com o velho Marmota não tava rendendo muita coisa), mudei o tema, coloquei essa com a graminha (sei lá, afinal uso esse espaço como repositório de adubo cultural mesmo) e agora, to mais disposto a escrever novamente.

Por que? Bom, tem alguns motivos. Primeiro, a vontade de dividir com as pouquíssimas pessoas lesionadas o suficiente para ler o que escrevo minhas observações sobre o mundo cool nerd (ainda vou transformar esse conceito em algo famoso). E pra ganhar mulheres, claro…tá, eu sei que não vai rolar, mas não custa me enganar.

Então, vou parando por aqui, acho que já é informação suficiente, justificando o meu retorno.

Abraços e bom retorno pra vo6 também!

 

O Lucas Bonachovski de 2010: mais gordinho, mais sagaz...e o mesmo fanfarrão!

PS:  agradecimentos a Kyssylla e a Elisinha e o Gustavs, por (ainda) me incentivar a escrever de novo. A culpa é de vo6!

 

Listas, listas, listas_2009_parte 2_agora, a “minha” lista

Ao som de: A Modern Midnight Conversation_The Chemical Brothers_We are the Night.

Cara, é ingrato fazer uma lista de melhores bandas da década depois do Brasas. O “pequena enciclopédia musical de Caldas Novas” resumiu de maneira fodástica o top ten da década. Mas, nas palavras sábias de algum blogueiro que eu vi por ai, lista é o que existe de mais subjetivo no universo, ou em outras palavras, listas são como os “brioquetes”, cada um tem o seu. Logo, imbuído do espiríto de liberdade de expressão da intensa falta do que fazer, segue minha lista de bandas legais da década que está prestes a acabar. E um brinde ao ano que vem e a proximidade do fim dos tempos.

Os 25 melhores álbuns, da gringa e daqui, por Lucas Bonachovski (ou ié, eu mesmo!!!)

Eis ai, o meliante…se encontrar na rua, não alimente o ego do animal!!!


Bom, a lista era pra ser um top 10, mas por causa da minha terrível incapacidade de eleger somente 10 ótimas bandas boas, resolvi fazer um “top 25 putas bandas boas que ouvi nesses ultimos anos pelo mundo afora”. Bom, ao contrário do caro amigo Braseiro, o único critério que impulsionou minha escolha foi a pergunta: é bom por que? Seja pelo fator “mexa essa bunda gorda dançando” ou “músicas fofinhas pra ouvir enquanto faz sexo”, as bandas da lista tiveram algum impacto no canal auditivo deste humilde jovem que vos fala, logo mereceram entrar nesta lista tãããããão afamada. Claro, com certeza, poderia fazer um top 50 aqui, mas como o espaço é curto, vamos então as minhas bandas preferidas, que não estão em ordem de predileção, diga-se de passagem. Ah, explicação demais…Bora!

Hebron Gate – Groundation (2002)

Cá pra nós…as referências de reggae de qualidade estavam meio caídaças desde que Bob Marley foi tostar um com Jah. A não ser que buscássemos direto na fonte (que também está bem gasta, visto que na Jamaica, o que rola pesado atualmente é uma mistura de reggae com funk e sexo explícito…) nada de muito interessante apareceu por essas bandas. Teve o Matysiahu, com seu reggae judeu roots por um lado, um Natiruts e um Ponto de Equilíbrio de outro, e deus nos ajude, tivemos o mala do Armandinho, literalmente, “armando” uma presenpada que ele chamava de reggae.

Eis que me cai nas mãos esse bendito presente de Selassie. O Groundation foi beber nos primórdios do reggae, do dub…e do Jazz. É isso mesmo meu bom,  vc tá ouvindo aquele baixo presença, e logo, do nada, uma paulada de improvisãção de trompete que te faz querer ser rasta na mesma hora.  Podia ter escolhido outro album dos caras (que são americanos, detalhe), mas Hebron Gate, além de ser um poço de verdadeiras “pedras” moldadas ao som dos metais do Jazz e de influencias do Blues, conta com a participação de dois clássicos da radiolas: Don Carlos, do Black Uhuru e Cedric Myton, do The Congos. Jah, senhor dos senhores, rei dos reis…e o Groundation fazendo jus ao homem!

Songs for the Deaf_Queens of the Stone Age (2002)

Meu bom amigo Brasas que me desculpe, mas fico com o Songs for the Deaf como album mais fodaço do Queens. Rated R é bom, muito bom, mostrou pra que os caras do Queens vieram. O primeiro, homônimo, foi um soco no estomâgo dos que estavam acostumados com o nü metal do período. Mas Songs for the Deaf foi o album que levou o populacho a achar que o Queens of the Stone Age era a salvação do rock. E eles não estavam muito longe disso não.

Mas alguns fatores levaram a ocorrer essa transformação na banda. O principal foi a presença do nice guy do rock’n roll, Dave Grohl, assumindo a bateria e colocando ordem na banda. Por outro lado, temos um Nick Oliveri e um Josh Homme extremamente inspirados, compondo músicas que são verdadeiras porradas, falando de amor, desesperança, solidão, sempre de uma maneira altamente lisérgica.

Sim, música pra viajar, música pra bater cabeça, música pra dirigir a 120 km/h em direção a um abismo gritando “I can go with the flow”, ou olhando pro céu enquanto ele cai em cima de todos nós ou só ouvimos mais uma canção de amor. Intenso, bonito, pesado como um Hoffman 100 anos. Esse é o Songs for the Deaf e o por que do Queens of the Stone Age ser o que ele é hoje (aliás, volta Nick Oliveri, por favor…)

St. Elsewhere – Gnarls Barkley (2006)

Pode um disco que fala sobre morte, necrofilia, zumbis, e o bicho papão (!) ser um dos melhores albuns do ano? Pode, desde que esse album esteja na mão de um sujeito chamado Danger Mouse. O cara é um dos produtores mais inventivos dos Us and A e a outra metade, junto do rapper Cee-lo, do Gnarls Barkley, a coisa mais engraçada, dançante, criativa e loucamente pop dos ultimos tempos.

Com uma sonoridade calcada em milhares de referencias possíveis, do jazz, dance music, funk, soul,  metal… e muita, muita música da Motown, o Gnarls Barkley não apareceu pra mídia, ele explodiu com luzes brilhantes de uma discoteca dos anos 70, carregado pelo hit grudento de 2006: vai dizer que vc não ouviu Crazy 32767383 vezes naquele ano?

Mas engana-se quem acha que o Gnarls Barkley uma one hit band. Pelo contrário, os caras ainda tinham na manga ótimas músicas, pra fazer vó sair dançando na sala. Além disso, as apresentações dos caras são dignas de notas, tal como a do Grammy de 2006, onde a banda tocou Crazy, todos vestidos como personagens de Star Wars. Foda né, nem precisa dizer muita coisa. Dance, apenas…

Rebel Meets Rebel_Rebel Meets Rebel (2006)

Se tem uma vertente do rock que me agrada e o Southern Rock. Fico imaginando como deve ser legal morar no interior dos Estados Unidos, ver aqueles malucos rednecks empunhando suas guitarras e fazendo uma verdadeira bagunça country, com aqueles banjos malucos e tal. Agora, imagine o Pantera tocando com todo o peso e velocidade já típicos, tendo ao vocal uma lenda do outlaw country, David Alan Coe. Ié man, isso é Rebel Meets Rebel.

Pouco antes de empacotarem Dimebag Darrel, o que era pra ser uma participação de David Alan Coe com Phill Anselmo se transformou em um dos mais divertidos albuns daquele ano. Country bagarai, Trashzaço, rápido, pesado…e muito sacana, cheio de referências a jogo, bebidas, tiros, porradaria…e mulheres. A começar pelos gemidos danadinhos de “Nothin to Lose”, faixa que abre o album e que conta com Dimebag zoando David Alan Coe em uma partida de 21. Rebel meets Rebel, faixa que leva o nome do album, é country, com direito a violinos e um baixo endemoniado de Rex Brown e o já citado Darrel, sempre genial na guitarra. Além disso, o vocalista de mil faces Phill Anselmo dá as caras em um dueto com Alan Coe. Coisa finíssima, pra ouvir bebendo um whisky barato em brigar em bares na beira da estrada.

Toda vez que eu dou um passo, o mundo sai do lugar – Siba e a Fuloresta (2007)


Porra, anota isso ai: Pernambuco ainda é um dos maiores polos de produção musical de qualidade dessa nossa Brasilândia. Tivemos a maior revolução musical no Brasil dos ultimos tempos nascendo lá, com o manguebit da Nação Zumbi, Mundo LIvre S.A e por ai vai. E foi de uma das bandas surgidas nessa embolada de referencias pernambucanas, o Mestre Ambrósio, que nasceu a semente para esse projeto. Siba Veloso, um dos mais inventivos musicos na ativa no Brasil, saiu de São Paulo para a pequena Nazaré da Mata, pra se juntar com músicos regionais e criar essa benditan dessa Fuloresta. Voltado para as referencias regionais de Pernambuco, das lendas a musicalidade do coco, do frevo, da ciranda e por ai vai, mestre Siba monta um conjunto de histórias fantásticas, voltada para a simplicidade da música do povo sofrido, mas que encanta os ouvidos. Vale ouvir demais a faixa que dá nome ao albúm, uma verdadeira farra de metais  sobre a velocidade dos tempos modernos e, pros amantes de futebol e sofredores na segunda divisão, “Meu time”, o desabafo de um sofredor fanático justificando as falhas do seu time. Sensacional, simples e divertido…deve ter alguma coisa na água de Pernambuco, só pode…

Aha Shake Heartbreak – Kings of Leon (2004/2005)


E lá vamos nós de novo, voltar a parte mais caipira dos Estadis Unidis do Obamão. Agora, direto de Nashville pro mundo, três irmãos e um primo que começaram de maneira despretensiosa a tocar, influenciados com pelo pelo Led Zeppelin e pelo Lynyrd Skynyrd, agora começavam um plano de dominação mundial

O primeiro album dos caras já mostrava um lance totalmente novo. Uma sonoridade caipirona, mas “pra frente”, como diria minha vózinha, intercalada por baladas acústicas simples, fizeram o mundo inteiro se perguntar: “que porra é essa?”. E com Aha Shake Heartbreak os caras chutaram o balde, e mostraram que a salvação do rock não estava só em Nova York, nas mãos dos engomadinhos do Strokes. “King of Rodeo”, com um riff simplesão, uma linda de baixo simplesona e uma bateria…simples demais, aliado ao vocal afetado, mas fantástico de Caleb Followill, se transformou num hit instantâneo logo que eu a conheci. “Pistol of Fire” dá vontade de calçar as botinas e dançar batendo os pés no chão, enquanto “Day Old Blues” pede uma rede, um violão e um daquele do bom pra viajar vendo o Mississipi correr no por ai. The Bucket é tão alegre que chega a ser desconcertante. Bom, não dá pra falar muito, só ouvindo mesmo. E ai entendemos como esses irmãos e primo que queria tocar só pra arranjar umas groupies e tomar umas cervejas fáceis se tornaram os queridinhos do Bono, e dai pra frente, do mundo.

Wolfmother – Wolfmother (2006)


Fuck yé man, ainda bem que minha escolha randômica na lista das 25 chegou aqui. O Wolfmother, na minha singela opinião, é uma das poucas bandas que conseguiram de maneira perfeita mostrar que dá pra fazer rock simples e sem frescura, a moda dos antigos. Transcrevo aqui, com todo o perdão, um trecho que havia escrito anteriormente sobre a banda:

“A sonoridade da banda continua parecendo um choque entre uma camionete carregando o Led Zeppelin e um Maverick 68 com os integrantes do Black Sabbath, ao mesmo tempo em que o avião do Lynyrd Skynyrd cai por cima de tudo e os caras do ZZ Top veem a explosão em suas motos. Sonoridade sessentista, mas sem parecer anacrônica em momento algum.”

Andrew Stockdale, um dos sujeitos por trás do Wolfmother (aliado, nesse primeiro album a Chris Ross, baixo e teclados e sintetizadores, e Myles Heskett, bateria e percursão) parece ser um sujeito que caiu diretamente dos anos 60 nos dias de hoje, trazendo o que de melhor podia haver na música daquels bons anos. Um baixo do Butler? Tem. Riffs a Page? Tem também. Um vocalista que emula Robert Plant e as vezes soa como Geddy Lee? Teeeeeeeem. Aliado as temáticas das músicas (mulheres, unicórnios, gnomos e bruxas) o Wolfmother inventou o que eu considero um clássico dessa década, tocado a antiga (até os instrumentos e a gravação foram feitas como nos anos 60) mas pra mostrar pra NX Zero, Cine ou qualquer dessas porcarias enlatadas que ainda dá pra fazer música de verdade. Um salve dos novos para os antigos, e para com esse papo e me traz mais uma cerveja. Ah, não recomendei nenhuma música específica por que o album inteiro é bom, mas pra ajudar, de um youtube ai, e ouça “Colossal”, “Woman “e “Joker and the Thief”. Deve ser suficiente pra te convencer.

Super Taranta – Gogol Bordello (2007)


Eles são de todos os cantos do mundo, criaram a porra de um Punk Cigano, ou Folk Gipsy, são teatrais pra caramba, tem o visual mais legal de banda dessa década (vide o bigode e a faixa na cabeça do vocalista/ator principal, Eugene Hütz) e fazem bagunça…muita bagunça. Não dá pra falar muito, só ouvindo mesmo…

Ié dude, ISSO é Gogol Bordello, o único som no mundo que me dá vontade de tomar 3 litros de vodka e dançar sem camisa em algum festival no leste europeu.

Feels Like Home – Norah Jones (2004)

Agora, preciso pedir licença pra falar algo bem pessoal. Sim, sou apaixonado pela Norah Jones. Demais. Paixão platônica nível 10. Mas tem como não se apaixonar por ela?

E acredito que Feels Like Home foi composto com o único intúito de me fazer cair apaixonado. A voz suave, os arranjos fofinhos, a animação contida, tudo isso me faz cair de amores pela moça. Mas na época que mais ouvi esse album, estava entregue pra outra pessoa…é, música é foda, faz lembrar de cada coisa.

Cada música desse album é um pedaço de uma história apaixonada. Cada letra e interpretação de Norah Jones invoca um sentimento de bem estar que poucas músicas conseguem fazer. Saindo um pouco da linha “pequena diva do jazz” e viajando um pouco pelo country e pelo folk e por uma malandragem bem Nova York, minha pequena Norah criou um pequeno conjunto de pérolas. “Those swet words” e “What am i to you” são as fofissímas apaixonadas, que se seguem de uma “In the morning” malandra e de uma country feliz “Creepin’ In”.

E laiá, como é bom estar apaixonado…

Life Is A Big Holiday For Us – Black drawing Chalks (2009)

Tá bom, os caras arrebentaram em 2009. Melhor clipe, com “My favorite Way”, ok! Uma das melhores apresentações do Porão do Rock desse ano, ok!! Lançamento com melhores singles, hits certos em qualquer playlist de alguem de respeito, ok!!!

O Black Drawing Chalks foi a grata surpresa desse ano de 2009, e que voltou todas as atenções pra cena rocker de Goiânia, que deixou de ser uma grande fazenda esfaltada, berço das piores duplas sertanejas. O lance todo é: muita gente já sabia disso, só precisava alguem pra mostrar.

E o BDC fez isso com maestria. O primeiro album já era bom, mas com “Life Is A Big Holiday For Us” , esses senhores foram covardes. Listado entre os melhores albuns do ano em 11 a cada 10 listas de críticos musicais, o album fez com que a banda caísse nas graças da onipresente MTV, colocasse a banda no Multishow, e com que explodisse o número de download do album. Mas o que os caras tem de tão bom, fica a pergunta.

Primeiro, o BDC colocou o Brasil na fita do Stoner mundial. Músicas rápidas, viajantes, pesadas, divertidas. O show nem se fala. A cada música tocada, uma resposta em uníssono da platéia, inclusive esse jovem senhor que vos fala. Fiquei fã, de comprar camiseta nas mãos dos caras.

Além disso, os caras merecem o prêmio simpatia do ano. Porra, todo show que fui, acabei encontrando algum dos integrantes da banda e trocando uma rápida idéia…e eles são receptivos ainda.

Mas e as músicas. Porra, “My favorite Way” tem um dos melhores riffs desse ano, sem sombra de dúvidas. “My Radio” levanta defunto pra entrar em slam, “Don’t take my beer” é meu hino de bebaço desse ano e “I’m beast, i’m a gun” com certeza me fez lembrar os meus melhores momentos de Orange Goblin ou Alabama Thuderpussy.

Hoje, sem sombra de dúvidas os caras já são mais que um simples “Queens of the stone Age nacional”. Vida longa ao Black Drawing Chalks, e mais apresentações em Brasília, por favor.

Por enquanto é isso ai. Logo chego com a segunda parte da lista. No mais, feliz 201o “procês”, alegria e muita música na sua virada (ui…)

Lucas Bonachovski, desesperado, por ter que listar tantas boas surgidas nesses ultimos dez anos…foda…