Archive for 22 de abril de 2009

Iron Maiden em Brasília: lembranças de uma vida mais simples…

Ao som de: Maiden, of course_Ouvindo o Seventh Son of  Seventh Son completo

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Certo, é com um pouco de atraso que escrevo esse texto. Mas acredito que ainda há tempo para prestar uma pequena homenagem. No entanto é melhor deixar bem claras duas coisas: primeiro, esse é sim um texto bem parcial. Diria que é quase passional, dado meu gosto pessoal pelo som da eterna “Donzela de Ferro”; por isso, é bem provável que se você, caro leitor, não tem paciência para apreciação descarada de um fã por uma de suas bandas favoritas, pare de ler por aqui. E em segundo lugar, não espere desse pequeno texto uma análise criteriosa de erros e acertos do baixo de Steve Harris ou se o Bruce Dickison desafinou ou não cantando o refrão de Aces High.

Esse é um texto que tem como objetivo principal (tentar) demonstrar um pouco da experiência quase transcendental de assistir ao Iron Maiden ao vivo.

E já posso adiantar uma coisa: tudo relacionado a esse dia feliz ainda parece meio que um sonho, distante, meio que inacreditável. E antes de explicar qualquer coisa, tenho que fazer uma confissão: o Iron foi a primeira grande banda de Heavy Metal que eu tive o prazer de escutar. Lá nos idos da década de 90, quando o Grunge de Seattle e novo o rock Britânico tomavam as rodinhas de discussões sobre música, lá estava eu, em casa com meu Best of The Beast (emprestado, infelizmente), ouvindo todos os clássicos do Iron e tentando entender por que nunca havia escutado aquele som antes: no alto dos meus quatorze anos, poucas coisas importavam mais que ouvir meu Iron diário, além de ler uns quadrinhos e consumir muito cinema (sim, minha vida social só viria a melhorar anos depois). Mas sem muitos devaneios, o Iron naquela época era (quase) tudo o que um adolescente nerd precisava em uma banda: músicas rápidas, solos de guitarra, vocais poderosos e aquela sensação ótima de usar uma camisa com o Eddie na estampa e ver os vizinhos achando que você era meio doido.

Hoje, bem mais velho e em teoria mais maduro, mas inquestionavelmente com o gosto musical bem mais elaborado e definido, me pego rindo como um moleque lembrando a hora em que os primeiros riffs de guitarra de Aces High, clássico inquestionável da Donzela, começaram a ser tocados.

Flashback da infância automático. Depois disso, ocorre uma sucessão de grandes músicas que me lembraram uma época da vida em que as coisas pareciam ser mais fáceis. Época de amores simples, infantis até. De horas gastas jogando Goldeney 007 com o Márcio, comendo bolo de cenoura com coca e matutando sobre como seria estar em um show do Iron, na hora em que eles tocassem Fear of the dark. Não sei por que essa conversa sempre terminava com a conclusão de que deveríamos estar munidos com uma moto serra…

Pauladas com “Phantom of The Opera” (velha música da dancinha engraçada), 2 Minutes To Midnight, The Trooper. As espetaculosas The Rime Of The Ancient Mariner e Powerslave, com direito a explosão e colunas de fogo, além de vários outros grandes clássicos se sucederam em quase duas horas de show, com uma entrada diga-se de passagem, britânica em todos os sentidos (na hora marcada e com um discurso de Winston Churchill). Mas existe uma música em especial que preciso mesmo comentar: dado momento do show, já feliz por estar ali, assistindo os caras que escreveram um pedacinho da História da Música Mundial, ouço um coro com todos aqueles fanáticos entoando o início de Fear of The Dark. E mesmo sem uma moto serra ou um cavalo de batalha, chorei de emoção.

Meu Bass Hero, meu Bass Hero...
Meu Bass Hero, meu Bass Hero…

É, sim, eu chorei mesmo. Por que naquele momento, eu voltei a ser aquele moleque que acreditava que depois de assistir ao Maiden, o mundo podia acabar que tudo estaria bem. O moleque que junto do melhor amigo, passou horas rindo, brigando, curtindo, passando raiva, numa época que a maior preocupação era a hora de ir pra casa. É chorar foi o mínimo pra tamanha emoção que senti naquele momento.

Terminado o show, com a promessa de uma volta em 2011 para a turnê do novo álbum a ser gravado, ainda estava em estado de êxtase, ainda sem acreditar que tudo aquilo havia realmente acontecido, eu cheguei a uma conclusão: mesmo que milhares de bandas muito boas tenham me cativado nesse decorrer de anos, o Maiden ainda tem um lugar especial na minha memória, bem ao lado do Super Nintendo, do Baré apostado no golzinho de rua, na primeira namoradinha da escola, nas brigas da oitava série. Enfim, está tudo ali, guardado, lembrando uma época em que as coisas eram mesmo muito mais simples. Up the Irons!!!!

Um jovem adulto feliz...
Um jovem adulto feliz…