Archive for 24 de maio de 2009

Meu dia do Orgulho Nerd_Parte 02: Star Trek

Ao som de: Preciso me Encontrar_Cartola_Cartola, 1976

 star-trek-poster-enterprise

Cinema, isso ai. Resolvi que assistiria os três grandes blockbusters do mês de maio/junho, e como já estava atrasado com os dois primeiros (o terceiro, Terminator: Salvation, estréia somente dia 05 de junho), assistiria dos dois logo de uma vez.

Comprei meus ingressos então para os filmes mais power actions desse ano (nas palavras do amigo Robinho): o épico saudosista Star Trek e a patuscada mutante X-Men Origins: Wolverine.

Eis então meu momento gonzo repórter do blog:

!9:00: munido de um MCshit sabor artificial bacon, e um copo gigante de fanta laranja mais batatas fritas grandes (pode dizer o que for do Mclixo, mas as batatas de lá são muito boas), entro na sala a procura de um bom lugar pra sentar-me. Alguns casais meio perdidos, e um sujeito que, pela excitação, parecia ser um trekker de verdade.

O da propaganda e o real...esse é o velho Mcdonald's que nós 'adoramos'...

O da propaganda e o real...esse é o velho Mcdonald's que nós 'adoramos'...

19:20: Começam os trailers, ou ié: o de praxe nesse momento. Um teaser rápido do Terminator (só pra dar o gostinho de ver aqueles robôs do mal dá série, e uns outros REALMENTE grandes), e um trailer horrível de um filme com Zac Efron, a carinha bonitinha (e chata) de High School Musical, em que ele interpreta um cara (O Chandler de Friends…pobres atores de sitcom que não emplacaram nenhum sucesso depois que as séries terminam) que acorda um dia e está mais novo, com 17 anos, para poder correr atrás das coisas que ele não havia feito quando jovem…triste filme caça-níquel, baseado na idéia daquele outro filme chato com a Jennifer Garner, de repente 30, se não me engano.

Lá pelas 19:30: começa o filme…estava esperando aquela narração clássica, “espaço: a fronteira final”, mas nada até agora. Cena giga power action logo de cara, com a chegada dos Romulanos (raça do principal vilão do filme, o capitão Nero, representado por Eric Bana, o primeiro e incompreendido Hulk). A cena de cara mostra a tônica do filme: ação, ação, ação. Vale ressaltar, tentando não mandar um spoiler, que o ator que faz o pai de James Kirk, Chris Hemsworth,  interpretará Thor nos cinemas, em uma das próximas adaptações dos personagens da Marvel.

No entanto, o filme tem o toque de Midas de J.J Abrams, a mente criativa por trás de alguns fenômenos da cultura pop contemporânea (vide Lost, Fringe, Cloverfield, Alias e por ai vai). Logo, mesmo não sendo um fanático pela série clássica de Star Trek, J.J. conseguiu com certa tranqüilidade, dosar as cenas de ação vertiginosas com os momentos de alivio cômico e os conflitos entre os personagens.

O filme tem como centro de referência às histórias de Kirk (o novato Chris Pine) e Spock (Zachary Quinto, o Sylar de Heroes), mostrando de que maneira cada uma das personalidades foi construída para explicar o choque inicial dos dois personagens. Por conta disso, tem-se pouco tempo pra explorar mais os personagens coadjuvantes, o que não faz com que estes percam seu charme.

"Já falei pra parar de comentar sobre minha orelha, porra..."

"Já falei pra parar de comentar sobre minha orelha, porra..."

E em relação aos atores escolhidos para o filme, J.J. Abrams acertou novamente. Tal como em Cloverfield, o diretor escolheu atores menos conhecidos do grande público, o que deve ter diminuído consideravelmente o gasto com cachês. E a tripulação da U.S.S Enterprise segura bem a onda do filme: Zoë Saldana interpreta a especialista em línguas alienígenas, Uhura; Karl Urban interpreta o médico oficial Maccoy, Anton Yelchin interpreta o navegador russo Chekov, Simon Pegg (hilário tal como em Todo mundo quase morto e Hot Fuzz) interpreta Scotty e John Cho, o eterno Harold Lee de Madrugada muito louca (uma ótima comédia de maconheiros, pós Cheech and Chong), interpreta o piloto Sulu.

A tripulação da U.S.S. Enterprise

A tripulação da U.S.S. Enterprise

Outra sacada fantástica foi à participação de Leonard Nimoy, o Spock da série clássica. Os nomes de Leonard Nimoy, Willian Shatner e a mitologia de Star Trek já se tornaram uma constante do consciente coletivo da cultura pop do ultimo século. Até mesmo que nunca acompanhou a série clássica se emociona ao ver o velho Spock sendo parte importante desse fôlego mais que retomado de Star Trek.

Lá pelas 21:20: quase terminando o filme, com uma seqüência foda da Enterprise, já é possível obter uma visão geral sobre o longa: como toda história de cinema que visa contar a origem de um determinado elemento da cultura pop, o filme parece as vezes um pouco corrido, impressão que não se mantém por muito tempo, devido a habilidade do diretor e dos roteiristas em adicionar doses de humor e momentos sérios, que fazem com que todos os personagens sejam, se não mais explorados, pelo menos bem apresentados. Os protagonistas assumem bem suas posições, visto que deve ser um imenso desafio interpretar personagens tão icônicos. E por fim, a impressão que fica é da que uma história que parecia já ultrapassada, no entanto adorada por fãs no mundo inteiro, pôde ser reiniciada, com todo o potencial pra gerar mais um novo número de fãs. Mesmo com as explicações que para alguns podem parecer estranhas (me agradou a discussão acerca realidades paralelas e viagens no tempo, dinâmica e pouco aprofundada, mantendo o pique da história), o filme não é cansativo e dá vontade de ver como esses personagens estarão em um futuro novo filme da série.

21:30: termina o filme, com Lenard Nimoy citando a famosa introdução da série. “Espaço: a fronteira final…”. E mais uma vez, ponto para J.J. Abrams. Podia terminar com a velha experssão clichê do ‘vida longa e próspera’, a saudação de Spock, mas prefiro o ‘velho, então é isso’, meu mesmo. Assistam o filme e aproveitem esse pequeno deleite de cultura pop na veia. Agora, precisava correr, senão perdia o Wolverine…