Archive for junho \07\UTC 2009

O meu coração, um velho porão.

Por: Bárbara Figueira

Ao som de: Peito Vazio_Cartola II (1976)_Cartola

 O meu coração é uma peça de carne barata exposta num açougue de esquina.

Toda essa questão gira em torno de um verbo, quem sabe até seja ele a minha palavra de ordem, desde os oito meses quando minha boca desdentada começou a esborçar seus primeiros fonemas: falar.

Se um dia você me conhecesse notaria que eu não sou o tipo de garota calada. Não. Ele até me disse uma vez a bendita frase: ” Você é tempestade pra minha vida” com o sorriso de quem guarda algum tesouro. Mesma frase essa que três anos depois me foi repetida em tom de cansaço monocordio: e a tempestade então, aquela mesma tempestade que de início era a promessa de romance montanha-russa, passou a ser o motivo do fim do nosso amor. Sim, eu sou tempestade demais pra vida desse moço que não sabe o que fazer das próprias mãos.

Vamos voltar então ao ponto central. Talvez eu não dê conta porque meu pensamento é rizomático. Tentarei dessa vez um esboço didático, uma tentativa apolínea de mostrar como anda minha cabeça-alma dionisíaca ( Dionisíaca sim, e isso sempre minha fortuna e desespero): Eu não posso, eu não consigo , mesmo frente ao muro de desapego, mesmo frente àquela cara neutra morta inexpressiva imemorável me calar:

          ” Eu só quero que você saiba que um pedaço grande de você ainda mora em mim e eu se pudesse arrancava esse negócio assim com a minha mão…”

Assim, tosco. Direto.

” Deixa eu te falar… deixa eu falar! Não, não é porque eu bebi… não… deixa eu te contar que o dia em que você me disse   ‘ olha, acabou o amor’ veio uma luz clara e o mundo inteiro se abriu…”

 Ele não entende. Ele não consegue compreeender que tudo isso tem a ver comigo, pequena menina voluta, e ele tem que ser meu ouvinte fiel, meu objeto recorrente de um sentimento que mora no meu corpo. Só no meu.

Eu falo. Eu não consigo me calar nunca e isso não é uma hiperbole, uma metáfora ou coisa que o valha. Eu falo e reino absoluta no mundo da sinceridade, porque tudo o que eu tenho a oferecer é esse meu amor cantado, etereo, fraseado e verdadeiro. Eu falo porque minha coragem suicida me impulsiona a arrancar e deixar cair meus pedaços de máscaras pelo chão. Eu falo porque é n e c e s s á r i o. Absolutamente necessário. Eu falo pra não padecer.

 Siiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiimmm! Façamos com que nossa perda, nossa dor seja nosso amado tabu exposto!

 Siiiiiiimmmmm! Peguemos nosso coração carne de 2º  e expunhamo-lo em carne viva quando assim nos apetecer.

Sim, porque nossa coragem é nosso maior trunfo e minha verdade me alimenta a não calar jamais.

Eu, intrépida aventureira. Eu, um quixote de patins, vou decidida e com a ajuda de um pequeno bisturi abro espaço entre meus seios: o centro da minha caixa toráxica. Com a ajuda de meus dedos abro caminho por entre a estrutura óssea, as veias e o sangue e o capturo. Então, lá está ele em minha mão: grande, pequeno, capenga. Pulsando. Estico minha mão cheia de veias e sangue, com aquele vermelho coração-trator. Ele olha e calado vai embora, sem uma palavra sequer.

Daí eu entendo… que coração que nada. Pra algumas pessoas é preciso ter estômago.

[nota bonachovskiana] um clipe propício?talvez…

Gnarls Barkley_Who’s Gone Save my Soul

Crônicas sobre o fim de festa

Por Braseiro, o Incansável

Ao som de:  Frank Sinatra_Cake_Fashion Nugget

16may27-bad-good-excellent

É no fim de festa que as coisas realmente acontecem.Num fim de festa voce pode tanto descolar uma ótima transa ou dançar aquela música do Justice que só toca naquele horário.Você pode vomitar espalhafatosamente ou se envolver numa briga sem saber e sem querer.De acordo com a lenda é no fim do arco íris que está o pote de ouro;e é no fim que todas as histórias da carochinha se tornam felizes para sempre.

De acordo com o filósofo alemão Arthur Schopenhauer,somos escravos de nossos desejos. Mal satisfazemos um e outro surge, de modo que vivemos permanentemente insatisfeitos. Além disso, o mundo está repleto de injustiça e violência. A existência é, assim, uma fonte de sofrimentos.E o fim de festa está relacionado com tudo isso:sofrimento,melancolia,violência,decadência e insatisfação.Porque de acordo com o imaginário coletivo quem é feliz já foi embora mais cedo, pois encontrou o que estava procurando; e quem ainda permanece na festa ou está esperando confusão ou ainda quer satisfação(ou também porque está muito louco de ácido ou ecstasy,mas isso é outro departamento..hehe).O ponto em questão aqui é que o fim de festa tanto pode ser decadente como tambèm uma fonte    de prazer e deslumbre,mas inutilmente passageiro é óbvio;assim como o orgasmo e o sorriso dos que foram embora mais cedo.

23:00
_Nossa,esta festa parece que vai bombar hein,quanta mulher aqui maluco.

_Pode crer, mano acho que hoje a gente vai se dar bem!

-Uhuuuuuuuuuu!

Obviamente que o desejo de felicidade será duramente substituido assim que for realizado.Convenhamos também que nossos heróis do diálogo acima são um tanto panacas e qualquer mulher,bebida ou música que os satisfaça não irá durar mais do que 5 minutos.O que não percebemos é que por mais pessimistas e estóicos que sejamos nosso destino será tão diferente senão pior do que o deles.Não deposito tanta esperança nas coisas pois elas acabam acabando…sempre.Diante de tudo isso,fique até o fim da festa,vomite,cante aquela sua música preferida a plenos pulmões,beije um(a) desconhecido(a),xingue o Dj arranhe o assoalho pois no fim das contas todos estaremos insatisfeitos no dia seguinte;ou pelo menos na semana seguinte ou mês seguinte.è impossível ser feliz para sempre.

-Porra cara,já são 05:30,vamos nessa.

-Que se fooooda,o sol ainda nem nasceu e meu copo ainda está cheio,o que você vai fazer em casa?Ver Globo Ciencia e comer pão com manteiga e leite com toddy?Tá de sacanagem né?

É amigos,olhando por este  prisma a festa nunca termina.

Cool Things dessa Semana (01 a 07 de Junho)

Por Lucas Bonachovski, com vontade de acelerar o carro ao máximo e cair em um precípicio, ao som de Queens of the Stone Age
Ao som de: Go with the Flow_Songs for the Deaf_Queens of the Stone Age

Sessão nova estreando hoje, mostrando o que de melhor rolou esses últimos dias. Quadrinhos, livros, novas bandas, e o que mais caiu na minha mão e que tive tempo de aproveitar (o tempo é tão escasso, oh god). Pra começar, um clássico de John Constantine pelas mãos do incrível Garth Ennis; Adrenalina 2: High Voltage, a continuação de um dos mais insanos filmes dos últimos tempos; e a descoberta de Death, uma das melhores bandas de proto-punk de todos os tempos. Então vamos lá:

Jonh Constantine – Hellblazer: Hábitos Perigosos

capa_hellblazer_hp_baixasmall

Se John Constantine não for o personagem de quadrinhos mais cool de todos os tempos, sou uma vaca voadora marciana. Criado em meados dos anos 80, pelo grande Alan Moore, Constantine se firmou como um ícone do selo Vertigo, de quadrinhos adultos, da DC comics.

Sagaz, inteligente, sacana, malandro.Esses são alguns dos adjetivos que servem para se ter um pequeno vislumbre desse grande figura. E em Hábitos Perigosos, John mostra todo seu jogo de cintura em relação a assuntos místicos para sair da maior enrascada de toda sua vida. Como místico trambiqueiro, Constantine já driblou demônios, magos, skinheads malucos e toda sorte de inimigos estranhos. Mas agora, seu maior inimigo é algo muito, muito próximo (pra ser sincero, bem no bolso se seu puído sobretudo bege). Após fumar 30 cigarros Silk Cut por dia durante quase toda a vida, Constantine se depara com um câncer terminal no pulmão. Após tentar várias possibilidades, e nesse meio tempo conseguir tretar com um dos principais lideres das legiões do Inferno, John Constantine resolve apelar para seu plano mais audacioso, e mais arriscado. E, sobrevivendo, sua vida nunca mais seria tranqüila como ele gostaria que fosse.

 Garth Ennis, o maluco por trás das doentes ‘Preacher’, ‘The Boys’ e uma das melhores fases de Justiceiro, na Marvel, assumiu a batuta dos roteiros de Hellblazer, com uma bomba em sua mão: o que fazer com um personagem tão foda que fosse chocante o suficiente. Sejamos francos: Constantine não era uma história de super heróis com a cueca por cima da calça, era uma história de pessoas comuns se relacionando com o sobrenatural. Mas, além disso, era a história de pessoas comuns, mostrando como o que escondemos no mais sujo dos recantos de nossa mente pode ser bizarro. E as possibilidades eram infinitas. Eis que o maluco Ennis resolve que seria uma boa matar o nosso personagem sacana preferido.

 E não é que deu certo. Garth Ennis consegue transformar bizarrice em poesia de uma maneira singular. E nesse processo, escreveu uma das histórias mais icônicas de todos os tempos. Sensibilidade, violência, cerveja feita de água benta, amizade, operações infernais e o que mais de estranho e chocante podia acontecer com Constantine, Ennis conseguiu fazer. E o final não poderia ser mais surpreendente.

Coisas que você não deve mostrar pro diabo...ou deve???

Coisas que você não deve mostrar pro diabo...ou deve???

Essa edição de luxo da editora Pixel saiu em meados de 2008, e têm prefácio escrito pelo próprio Ennis, além da colaboração de vários conhecedores e fãs do mago mais sacana de todos os tempos. Vale a pena pelo ótimo cuidado gráfico (a ilustração da capa é sublime, desenhado por Glen Fabry, companheiro de Ennis das épocas de Preacher) e para mostrar pro seu pai que quadrinhos também é sinônimo de leitura seria, e mais importante, divertida.

PS: Habitos Perigosos foi an história que influenciou o roteiro da fraca adaptação de HellBlazer nos cinemas (ainda preferia o Sean Penn como Constantine…seria perfeito) 

Adrenalina 2: Alta Voltagem

Crank-2-poster

Tá, não me orgulho nem um pouco do que fiz e peço desculpas desde já. Adrenalina 2 ainda não saiu oficialmente no Brasil, e passando por uma banca dos famigerados piratas, me deparei com essa insólita surpresa. E se você por um acaso assistiu o primeiro filme da série, vai entender o por que da minha agonia em assistir essa continuação.

Adrenalina conta à história de Chev Chelios (Jason Statham, o novo queridinho dos filmes de ação Hollywoodanos), um assassino da máfia mexicana (!) que por motivos de vingança, foi inoculado com um veneno que inibe seus receptores de adrenalina. Ou seja: caiu a taxa de adrenalina em seu corpo, Chelios bate as botas. E segue-se então uma perseguição implacável de vingança, envolvendo a máfia chinesa, sua namorada, Eve (Amy Smart, de Efeito Borboleta), e a mais bizarras loucuras que alguém pode fazer para o coração continuar batendo, o que inclui sexo ao vivo em pleno bairro oriental de Los Angeles, um injeção de efedrina direto no coração, um choque de desfibrilador, e por ai vai.

Quais as chances de isso dar certo?

Quais as chances de isso dar certo?

 Em Adrenalina 2, Chelios e ressuscitado após cair de um helicóptero (!!), para a um fim ainda mais bizarro: seu coração é retirado para servir a um chefe matusalém da máfia chinesa que estava morrendo. E no lugar de seu coração, colocam um aparelho que funciona a base de eletricidade, utilizado em transplantes, que substitui momentaneamente as funções do coração. E aqui recomeça a correria característica do primeiro filme. Porém, nesse filme, os diretores Mark Neveldine e Brian Taylor resolveram surtar ainda mais, extrapolando as possibilidades de sobrevivência de Chelios: ele literalmente se esfrega em uma senhora (afinal, fricção também gera carga elétrica…), faz sexo com Eve em pleno hipódromo e encosta em fios de alta tensão. Além disso, o filme mostra cenas hilárias em que Chelios, ou por falta de energia ou por excesso dela, acaba sofrendo com alucinações, como a já clássica cena da luta de gigantes, estilo Godzila, na central de distribuição elétrica da cidade, em que eles destroem tudo tal como em um filme de monstros japonês.

Enfim, a versão que eu assisti, gravada do cinema, não mostra toda a qualidade de som e de imagem que o filme tem de fato. E o filme não supera o original em termos de criatividade. Mas não rola de julgar o filme como apenas uma seqüência caça-níquel, afinal, Chev Chelios já entrou no rol de personagens bizarros e clássicos da nossa década, e os dois ‘Adrenalina’ lançados até agora serão daqui a uns anos, clássicos dos filmes de ação sem pé nem cabeça. Só espere o original, please.

PS: Adrenalina 2 foi um dos ultimos filmes no qual podemos ver a participação de David Carradine, que morreu essa semana, interpretando o chefe da máfia Poon Dong…hilário mesmo.

Death_…For The whole World to See

DC387 COVER

 Nunca um nome de album foi tão propício para um album. Realmente, ‘Para todo o mundo ver’ cai bem para essa banda fantástica. O Death, que não é a banda de death metal, tem uma história no mínimo engraçada: formada pelos Hacney, 3 irmãos de Detroit que ouviram mais do que deveriam do som negro e de proto punk que rolava nos Estados Unidos em meados da década de 70, começaram a compor quando o mais velho tinha uns 19 anos apenas. Produziram ótimas canções que misturavam influencias de MC5, Jimi Hendrix e o melhor do soul e do funk americano daquela época.

Hackney Brothers

Hackney Brothers

O problema é que, por uma questão burocrática, o Death não lançou as sete músicas que haviam gravado por uma grande gravadora. O que aconteceu: quando o produtor viu o nome da banda, achou que não seria comercialmente viável lançar uma banda com o nome de ‘Morte’, e por isso impôs que mudassem o nome. Só que os irmãos Hackney não aceitaram, romperam com a gravadora, e deixaram sua demo tape arquivada em um porão sujo por anos. Até que em 2009, essa fita foi encontrada e finalmente pode chegar aos nossos ouvidos.

Contendo clássicos do proto punk, como o mezzo soul/mezzo punk ‘let the world turn’, a stoogestica ‘Freakin Out’ e a linda ‘Politicians in my eyes’ (nunca uma música de protesto foi tão legal e viciante de se ouvir), o Death já se estabeleceu como um dos melhores álbuns desse momento musical americano, e com certeza, já está minha lista de melhores de ano.

Pra terminar, o hit dançante da semana vai para a banda Mando Diao, com ‘Dance With Somebody’. Veja o gordinho do clipe e tente se segurar para não dançar enquanto ouve esse som. A música já rivaliza com ‘Ulysses’, do Franz Ferdinand, como ‘músicas pra dançar loucamente no quarto’ desse ano!

Meu dia do Orgulho Nerd_parte 05_Alta Fidelidade

Por: Lucas Bonachovski, o leitor compulsivo errante

Ao som de: Keep on Knocking_Death_…For The Whole World To See

 alta fidelidade

Tá, eu sei que esse dia do orgulho nerd está sendo mais longo que toda a saga do anel (dá um google ai, se você não sabe o que é isso). Mas acreditem, é mesmo por uma boa causa. Simplesmente não queria falar sobre meu melhor presente de aniversário dado por mim mesmo, sem antes ter conhecimento do que estou falando. E acreditem, ler o ‘Alta Fidelidade’ até o fim, durante horas a fio no dia meu aniversário de fato (31 de maio, para os desavisados… ainda aguardo os parabéns) foi uma experiência transcendental.

Primeiro, por que queria a muito tempo achar esse livro (sério, encontrá-lo foi quase como escavar um sebo de quadrinhos e só ver Tex por horas a fio, e no fim de uma pilha de revistas, encontrar um Batman: o Cavaleiro das Trevas ou a primeira edição de Watchmen). Segundo, por que o livro conta em detalhes à história da minha vida amorosa inteira, só que passada na década de 90.

Rob Flemig, personagem principal do livro, que também poderia se chamar Lucas Bonachovski, é dono de uma loja quase falida de discos, em Londres. Tem como hobby, ou talvez religião, ouvir, conhecer e criticar tudo que se relaciona à música seja ela de qualidade ou não. Além disso, Fleming tem uma mania curiosa: define sua vida praticamente toda a partir de lista de cinco mais: as cinco melhores canções, os cinco melhores filmes e livros, e coisas mais estranhas.

No entanto, sua lista mais importante é a das cinco namoradas que mais o fizeram sofrer. Isso tudo devido a um recém termino de namoro, com Laura, alguém que Rob achava que amava acima de outras pessoas, mas que no fim, mostrou-se mais uma como as outras…ou não?

É a partir do término do seu namoro que Rob passa a repensar todos os seus 35 anos de vida, revendo princípios, escolhas e posturas, tentando entender o que deu errado nesse tempo todo. Rob está quase falido, sem vida social, sem amigos (a não ser Barry e Dick, dois de seus funcionários, tão ou mais viciados em músicas e excêntricos quanto ele). Sua família não tem fé na idéia de que Rob encontrará uma carreira de sucesso, na perspectiva tradicional que trata sucesso igual a dinheiro e não a satisfação pessoal, necessariamente. E sua namorada acaba de terminar com ele, pra ficar com o vizinho do apartamento de cima, um verdadeiro babaca.

Mas no decorrer da história, a medida em que conhecemos mais Rob, vemos que ele é um sujeito tão normal quanto você, ou o jornaleiro da esquina, o caixa do banco…e principalmente, a mim. Que erra, é orgulhoso, não dá o braço a torcer, mas que sofre, chora e se arrepende das coisas que fez.

E é nesse momento que o livro se torna verdadeiramente assustador, no bom sentido claro. Quando vi que a normalidade de Rob, sua humanidade e personalidade, se parecem totalmente com as pessoas a minha volta. Igual ao meu amigo, também cresci cercado de cultura pop por todos os lados: música, cinema, literatura, quadrinhos aos borbotões. Enfim, minha vida é um apanhado de referencias pop e não consigo em momento nenhum me desgarrar disso, como se isso fosse minha ancora com esse mundo. E tal como Rob, por algum motivo, acredito que minha geração é formada por homens que chegaram aos 14 anos e pararam de amadurecer por ali mesmo, enquanto as mulheres continuaram crescendo e se tornando cada vez mais interessantes e charmosas. Somos uma geração que não consegue tomar decisões e que não consegue assumir responsabilidades com tanta facilidade. Enfim, creio que somos uma geração extremista de “carpe diem”, clamando pelo próximo grande blockbuster ou o novo filme de Wood Allen, o novo single do Franz Ferdinand. Que espera ansioso o desfecho de Lost ou de Dexter e que não vê a hora de ler o Scott Pilgrim traduzido em português. Mas que ao mesmo tempo, não consegue decidir sobre qual carreira escolher pro futuro, ou se devemos ou não estar mesmo com aquela pessoa que nos compreende e que nos acolhe, mesmo conhecendo nossos defeitos, só por que nos recusamos a acreditar que a cultura monogâmica seja mesmo a melhor referencia para nossas vidas.

E no fim de tudo, só queremos alguém que goste dos mesmos discos e filmes que nós, como se isso fosse o mais importante de tudo. Aprendi que samba e stoner rock podem conviver tranqüilamente um com o outro, mas percebi isso tarde demais. Então, tal como Rob, acredito que é hora de tocarmos o barco.

Enfim, após divagar tanto sobre a vida, a morte e filosofia, vamos ao que interessa: o livro é muito bom, um ótimo retrato pop de um homem moderno. Vale cada minuto de leitura pelo humor, sensibilidade e referências musicais de um dos melhores autores da década de 90 e dos anos 00.

PS: “Alta Fidelidade foi adaptado ao cinema  em 2000, com John Cusack no papel de Rob, e um fenomenal Jack Black no papel de Barry. O filme modifica o roteiro original, perdendo parte de seu charme, mas ainda assim continua a ser uma ótima adaptação de um livro ao cinema. Vale muito a pena assistir. Fiquem com um gostinho ai, assistindo ao trailer:

Segue também minha humilde lista das cinco melhores adaptações de livros para o cinema:

 

1)      O Poderoso Chefão, de Mario Puzzo_o livro definitivo sobre a Máfia, e como se relacionar com sua família

2)      O Clube da Luta, de Chuck Palahniuk_um dos livros essenciais pra se pensar a sociedade em que vivemos e para aprender a surtar com estilo

3)      O Senhor dos Anéis, de J.R.R Tolkien_simplesmente o livro que ensinou ao mundo o que era aventura fantástica, bíblia de qualquer rpgista

4)      Trainspotting, de Irvine Welsh, o livro essencial sobre drogas, e suas conseqüências…boas e ruins.

5)      Neuromancer, de Willian Gibson (ta, não foi adaptado de fato, mas serviu como uma das bases para o roteiro de Matrix , considerado um dos grandes filmes de ficção científica da nossa geração)_ o livro que me mostrou que o futuro será cinza, perigoso…e sexy…ah Molly, ainda tenho sonhos com vc!