Coisas que lembramos ao acordar

Ao som de: The Raconteurs_You Don’t Understand Me_Consolers Of the Lonely (2008)

Um dia que começou estranho, foi um pequeno desastre e terminou de maneira feliz...

Um dia que começou estranho, foi um pequeno desastre e terminou de maneira feliz...

Coisas que lembramos ao acordar

Marcou um encontro com o sol.

Na verdade, o sol era ‘ela’, mas poucos sabiam desse detalhe.

E ela era linda.

Cabelos pretos, curtinhos, e olhos amendoados. Nunca entendera muito bem o que seriam esses tais olhos amendoados, mas nela ficavam ótimos.

E havia o sorriso.

Que, com todo o perdão do clichê, era radiante. Aquele sorriso era capaz de derreter, como mágica, qualquer tristeza, qualquer angústia que porventura aparecesse em um momento impróprio.

Sol, sorriso, derreter. Novamente, desculpas pela tentativa clichezenta de poesia. Mas todo o encantamento que ele sentia naquele momento, invariavelmente levava-o a pensar através destes termos. Até queria pensar em expressões mais rebuscadass, palavras mais obscuras, doces e misteriosas. No entanto, preferia deixar essa tarefa para algum poeta pálido, tuberculoso e soturno de alguma das fases do romantismo.

Até por que sempre preferiu bermudas aos pesados sobretudos.

Mas o que importa é que no fim daquela tarde, depois do expediente, ela estava lá.

Linda. Vestido verde, que ia até os tornozelos. Os pés em uma sandália levinha, com os braços soltos. Faixa no cabelo, mostrando a nuca.

Entendeu então por que sempre a achou tão…verão.

Conversaram sobre frivolidades. O último cd do Weezer. Discutiram o por que do Jim Carey ser um bom ator, quando não estava fazendo caretas pra tela e que assistir a orquestra sinfônica não era programa de gente chata e blasse, ao contrário.

E se beijaram

E não mais importava o aquecimento gobal, as contas atrasadas, a monografia ou o cara que sempre trazia a cerveja mais quente do bar. Por que naquele momento, ela era a única coisa que importava pra ele.

Perderam a noção do tempo, outro clichê clássico das história de amor. Era a hora em que ela precisava ir embora. Falou sobre um trabalho, do outro lado do mundo. E por incrível que pareça, queria estar com ele, queria mesmo estar com ele.

Ele preferiu dizer não. Teve medo, receio de abrir mão de sua vidinha chata e comum. Teve medo por que sua vida era ter medo. E a deixou ir embora, sem um beijo de despedidas ou um olhar pra trás.

Hoje seus dias se arrastam em tons de cinza. O vento é seco e os quadrinhos não são mais interessantes As empadinhas se tornaram sem graça. O trabalho era maçante.

Vez ou outra tinha um pequeno vislumbre dela. E brevemente o mundo era um pouco mais colorido.

Com o passar do tempo, o cotidiano passou a ser menos doloroso. Até ensaiava alguns sorrisos e gracejos. Enfim, levou a vida como poderia levar.

E aprendeu a se lembrar.

E quando as coisas ameaçavam ficar difíceis, era fácil superar os problemas: bastava se lembrar que, um dia, teve o sol ao seu lado.

Lucas Fernandes…e uma homenagem a alguem importante…

One response to this post.

  1. Nda é definitivo…
    e vamos falar a verdade… a nostalgia é tão poética!!!

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