Archive for 25 de dezembro de 2009

Listas, listas, listas_2009_parte 1

"Top 5das cinco pessoas que devo matar por vingança pela tentativa de assassinato contra minha pessoa, usando uma espada Hatori Hanzo"

Bom, o que seria de um blog no final do ano, sem listas das mais variadas?

Seja dos melhores clipes, bandas, seriados…até das melhores cervejas, vinhos, doces de abóbora feitos artesanalmente, pra todo lado pululam listas e mais listas.

Nesse sentido, o Bonachovski Brothers Experience não ficou pra trás. A partir desse Natal (que não é mais uma festa pagã, infelizmente…queria ver umas virgens dançando nuas em volta de fogueiras, pra variar um pouquinho…) vamos listar o que foi considerado o melhor e o pior desses ultimos dez anos do século 21.

Dez anos não é pouco tempo. Depois de ameaças das mais variadas, do fim do mundo ao bug do milênio, podemos dizer que sobrevivemos. Não muito bem claro, ainda temos o Didi aos domingos, sinal de que o mundo ainda precisa achar um rumo.

Então, antes que 2012 chegue, ai vão, as listas para vo6, três leitores se divertirem(os outros três estão agora de férias, em lugares paradisíacos e não tem o mínimo interesse em ficar discutindo listas…).

Bora então…

Os 10 melhores álbuns internacionais da década, por Braseiro.

Eis ai, o meliante…

Bom, conhecendo meu bom e velho amigo Leonardo “The Brasas Man Vibration” Braseiro e todo seu conhecimento, não dava pra esperar uma lista diferente. Levando em consideração os mais importantes aspectos para escolher os albuns (inovação, referências, propostas musicais) Brasas  mandou dez albuns que já estão no rol dos clássicos dessa década.

Então, sem mais delongas…eis suas escolhas. Agora, cabe a você julgar…(caramba, isso foi intenso…”cabe a vc julgar”…poderoso mesmo…)

10-Heartbreaker-Ryan Adams


Não é pela onda retro country-folk que anda em voga,não é porque ele fez parte do Whiskeytown e não é porque “Come pick me up” é a canção mais arrasa-quarteirão da década.Heartbreaker possui aquela honestidade e pureza que só se encontrava nos discos de Nick Drake e Gram Parsons.Em pleno ano 2000 um álbum soar tão country-folk e ao mesmo tempo tão atual é coisa realmente pra se notar.Quando a cozinheira quer cozinhar em panela de barro é uma coisa;quando ela faz um arroz com pequi maravilhosamente bem nela aí já é outra história completamente diferente.

09-Franz Ferdinand-Franz Ferdinand


Como dizia Jorge Ben:”Senta,…dança…tem que dançar dançando!…Dançando!”.O rock nestas últimas décadas se tornou um ritmo que se apreciava mais com a cabeça do que com os músculos.Bandas dançantes a partir de então se tornaram vulgares,primitivas e obsoletas.Vide o Radiohead,Strokes e Oasis só por via de  comparação.O Rithm and Blues de Brineys,Beyonces e quejandos ditava a onda das pistas.E eis que surge de repente um bando de escoceses loucos que emulavam The Fall e The Jam com uma pegada que inerentemente vai te fazer remexer os quadris.Quem aew nunca remexeu ao som de “Take me out” que atire a primeira pedra.

08-Return to Cookie Mountain-TV on the Radio


Se eu tivesse que escolher um álbum pra representar a década 00 esse álbum seria Return to Cookie Moutain.Denso,movimentado,brutal e vazio.Exatamente como nossa última década.Barulho e silencio se misturam como nunca aqui.Rock e soul,eletrônico e elétrico,Jesus and Mary Chain e Smokey Robinson.”É o fim do mundo como nós o conhecemos…e eu me sinto bem.”

07-In Rainbows-Radioead


Patenteia isso:O Radiohead é a maior banda do mundo,ponto.Tanto por questões musicais e artísticas quanto também criativas e tecnológicas.Lançar um álbum com a possibilidade de pagar o quanto voce quiser pra poder baixa-lo é mesmo uma tacada de gênio.Fora toda essa conversa os caras ainda me lançam um discaço soberbo cheio de melodias quebradas,novos timbres e novas possiblidades.Sacanagem né?

06-Sounds of Silver-LCD Soundsystem


Um disco bruto,mas extremamente dócil.Underground,porém singelamente pop.De batidas duras e secas,em contrapartida facilmente dançante.Em certos momentos você acha que está em alguma discoteca em 1984 mas então percebe também que soar retro é só parte do jogo.É um paradoxo musical cheio de nuances dançantes e pasmem…belas.”New York i love you but you freak me out”

05-Rated R-Queens of Stone Age


De tempos em tempos o rock é dado como morto ou esvaziado.E de tempos em tempos aparece alguém pra faze-lo ressurgir das cinzas como uma fênix enfurecida.Rated R é a fênix dos anos 00.Josh Homme que depois do influente e lendário Kyuss, andava meio sumido nos mostra, nesse segundo álbum toda sua potência para compor riffs turbinados,letras escatológicas e um peso absurdamente acachapante.Tá aí “Fell good hit of the summer”,”Monster in parasol” e “The lost art of  keeping secret” que não me deixam mentir.Disseram na época que eles seriam o novo Nirvana.Cobain pode se remexer no túmulo pois eles são melhores,bem melhores.

04-Modern Times-Bob Dylan


O rock sempre foi um gênero musical relacionado com a juventude,sua rebeldia latente e espontaneidade de viver.Robert Zimmerman tinha 65 anos quando lançou Modern Times.Sim amigos o rock também tem seus momentos de arte pura.Como bem definiu o jornalista paulista Marcelo Costa “Modern Times” é “um disco que não é para a molecada dançar na balada urrando as letras… …. muito menos para ser ouvido enquanto se passa manteiga no pão no café da manhã. Dylan precisa de mais atenção. “Modern Times” é um disco de temática quase antagônica, falando sobre sexo e morte. E também sobre amor. E também sobre um mundo que está se desintegrando na frente dos nossos olhos. Ou será tudo a mesma coisa? É um disco para se ouvir em um bar acompanhado de luzes que se misturam com a fumaça de cigarro num balé melancólico. Seu autor ousa relembrar que mesmo tendo vivido mais de seis décadas de vida, o mundo continua um lugar imperfeito, solitário e vazio. Mas o próprio, em entrevista ao jornal USA Today, atesta que não há nada de nostálgico no álbum. Nostalgia, quem diria, é objeto de culto muito mais juvenil.” Um minuto de silêncio!

03-Funeral-Arcade Fire


Uma obra prima.Como uma tela de Picasso ou um filme de Bergman.Tem a morte como tema predominante e o amor como fuga inescapável.Com a utilização de instrumentos nada convencionais ao universo pop como xilofone,acordeon e violinos o Arcade Fire tira beleza da melancolia em forma de músicas tão doces e tristes que em alguns momentos chegamos a aceitar que a vida é sim dura,triste e curta,mas curta demais.”Crown of Love” e “Rebellion(lies)” estão entre as músicas mais devastadoramente belas da história da música pop.

02-Is this it-The Strokes


Sim eles são playboys endinheirados.Sim suas roupas são meticulosamente desajustadas e seus cabelos milimetricamente desarrumados.Sim suas músicas são releituras conteporanêas de Velvet Underground,Television e MC5.Mas porra,é um som bom pracaralho.Inspirado,bem executado e de letras acimas da média.É verdade quase tudo o que dizem sobre“Is this it” e os Strokes inclusive que lançaram um dos melhores discos da década.Difícil de explicar mano.

01-Yankee Hotel Foxtrot-Wilco


“Você precisa  aprender a morrer se quiser continuar vivo”.Em minha modesta visão se trata de uma obra conceitual onde os finais de uma música se definham no começo da canção seguinte;mas sem uma idéia ou conceito fixo que amarre conceitualmente o albúm inteiro.Mas detalhes a parte, o que chama a atenção em “Yankee Hotel Foxtrot” é a simbiose perfeita entre melodias agridoces folk-country-pop e uma incômoda experimentação eletrônica que permeiam todas as músicas, transformando a audição do álbum num enorme  mosaico musical em que se misturam emoções,timbres,medos,solos,tristezas,ruídos e corações partidos.É a sensação plena confirmada pelo presente atual e pela década que passou; de que por mais que a tecnologia e a técnica estejam mais avançadas do que nunca, nossas emoções ainda continuam baratas,mesquinhas e individualistas como sempre.”I’ve got reservations/About so many things/But not about you”.

Movies, Movies, Move: O Grande Lebowski

Ao som de: La Posada de Los Muertos_Mago de Oz_Gaia II La Voz Dormida

É comum, nesse mundão pop em que vivemos, alguma obra se tornar maior do que seus criadores esperaram. Tais obras se tornam quase religiões, com seguidores fiéis, que defendem seus filmes, livros, bandas preferidas como se defendensem a honra de suas mães. Já conheci trekkers (fãs de Star Trek) , excers (os paranóicos fãs de Arquivo X) e por ai vai. Mas os mais engraçados, e por incrível que pareça, mais coerentes nessa época niilista em que vivemos são os Dudeístas. Mas, nas palavras do velho sábio Platão: what a fuck is this?

Segue, em algumas poucas palavras, um trecho pra entender um pouco do dudeísmo:

…não se pode cometer o erro frequente de confundir dudes com hippies!
Hippies são meros bandos ingénuos de sentimentalistas que fumam demasiada ganja.
Dudes de mochila às costas, por outro lado, são independentes, bem informados, e suficientemente cínicos para saberem que as pessoas e as coisas não são intrinsecamente “todas boas”. Muitos deles também fumam demasiada ganja, mas isso é outro assunto. Pode-se dizer que os dudes são realistas que se revoltam contra idealismo excessivo, enquanto que os hippies são idealistas que se revoltam contra realidade excessiva. Assim, o mandamento dude é o mesmo que o de Voltaire, o de Samuel Johnson e o de Thoreau: Tende para o teu próprio pequeno jardim e conserta a vedação do teu vizinho.
Os
hippies, por outro lado, pensam que o mundo inteiro é um jardim sem vedações, e depois ficam desapontados quando as pessoas disparam contra eles por invasão de propriedade. Esta seria uma excelente época para convocar Adão e Eva, mas os dudeistas não acreditam que essa treta tenha alguma vez acontecido.

Mas o que diabos levou ao surgimento de uma filosofia tão interessantemente maluca?

O Grande Lebowski, claro.

O filme de 1998, só demonstra algo que eu tenho sacado no passar dos ultimos meses: os irmãos Cohen acertaram mais uma vez.

No filme, Jeff Bridges intepreta Jefrey Lebowski, um desempregado convicto que, por escolha própria, resolveu levar sua vida sem maiores preocupações com coisa sem importância como contas de energia, aluguel, impostos e outras miúdezas. Sua maior preocupação é ouvir em seu walkman a coletânea do Creedence enquanto fuma um do bom, além de ter sempre a mão um White Russian, um drink escroto feito a base de vodka e leite! (!). Nas horas vagas (ou seja, quase sempre) Lebowski se dedica ao seu esporte favorito, o boliche. Na companhia de seus dois melhores amigos, Walter, um veterano surtado do Vietnã, recém separado da esposa (um dos melhores papéis de John Goodman, hilário) e Donny, o sempre censurado companheiro do time de boliche ( um Steve Buscemi extremamente normal, mas não por isso menos engraçado do que de costume).

losers...but happy...

Lebowski leva uma vida que todos considerariam patética. Mas em sua perspectiva de vida, aquela é a melhor das vidas. Tranquila, se aporrinhações e encheções. O “The Dude” (como ele se auto denomina) leva a risca a filosofia do “deixa a vida me levar”, desenvolvida pelo nosso “Cara” nacional, Zeca Pagodinho.

Até que um dia, sem mais nem menos, Lebowski tem sua casa invadida por bandidos que o confundem com um outro Lebowski ( o rico) e, como forma de extravazar a frustração por terem confundido dois sujeitos totalmente distintos, mijam no tapete do nosso Dude. E, em busca de um tapete pra chamar de seu, Lebowski, o pobretão, se vê envolvido em uma trama de violência, mentiras e boliche, junto de alemães niilistas, a industria pornô, uma artista contemporânea performática e toda sorte de malucos simplórios da fauna típica estadunidense.

Os irmãos Cohen conceberam uma fábula sobre a busca pela tranquilidade. The Dude, o patético, as vezes é mais coerente que qualquer um de nós, levando uma vida simplória. Mas será que precisamos mesmo viver em função de dinheiro, poder, status e esses outros detalhes aos quais a sociedade dá tanto valor?

No fim das contas, terminei de assistir ao filme com uma baita inveja do Dude. Por que a vida que ele escolhe levar simplesmente foge de todas as regras aos quais somos forçados a conviver, muitas das vezes, acreditando que não temos alternativa a não ser nos render. Negar o Status Quo, é isso que o Dude faz. Alguem ai lembrou de um outro Dude? Talvez, um cara chamado…Jesus?

Não me espanta uns malucos terem criado uma “religião”. Sempre terá alguem precisando de algo pra seguir, as vezes, ate nós mesmos. Na falta de algo melhor, por que não ser um pouco “Dude”. Fica ai a sugestão.

E pra acabar, mais uma vez, a constatação do óbvio: esses irmãos Cohen sabem o que estão fazendo mesmo.

PS: não ia citar todos os ótimos atores do elenco do filme, mas percebi que era preciso. O filme conta com a participação da sempre charmosíssima Juliane Moore, além de Philip Seymour Hoffman, a gata Tara Reid (eterna mina do American Pie), Peter Stormare e uma ponta muito engraçada de Flea, baixista do Red Hot Chilli Pepers, além do sempre, sempre fodaço John Turturro. E ele é simplesmente o coadjuvante que rouba a cena como Jesus, o jogador de boliche latino cheio de trejeitos. Tem como ser menos engraçado?

PS2 etílico: vou deixar a receita do White Russian, pra quem quiser se arriscar. Se der certo, avise-me…

Seu preparo é simples. Em um copo de uísque, coloque:

  • 1 dose de vodca,
  • 3/4 de licor de café (Kahlúa, por exemplo)
  • Adicione um pouco de leite ou creme de leite
  • Misture com pedras de gelo no próprio copo ou bata em uma coqueteleira

Lucas Bonachovski, querendo uma vida mais tranquila…