Listas, listas, listas_2009_parte 2_agora, a “minha” lista

Ao som de: A Modern Midnight Conversation_The Chemical Brothers_We are the Night.

Cara, é ingrato fazer uma lista de melhores bandas da década depois do Brasas. O “pequena enciclopédia musical de Caldas Novas” resumiu de maneira fodástica o top ten da década. Mas, nas palavras sábias de algum blogueiro que eu vi por ai, lista é o que existe de mais subjetivo no universo, ou em outras palavras, listas são como os “brioquetes”, cada um tem o seu. Logo, imbuído do espiríto de liberdade de expressão da intensa falta do que fazer, segue minha lista de bandas legais da década que está prestes a acabar. E um brinde ao ano que vem e a proximidade do fim dos tempos.

Os 25 melhores álbuns, da gringa e daqui, por Lucas Bonachovski (ou ié, eu mesmo!!!)

Eis ai, o meliante…se encontrar na rua, não alimente o ego do animal!!!


Bom, a lista era pra ser um top 10, mas por causa da minha terrível incapacidade de eleger somente 10 ótimas bandas boas, resolvi fazer um “top 25 putas bandas boas que ouvi nesses ultimos anos pelo mundo afora”. Bom, ao contrário do caro amigo Braseiro, o único critério que impulsionou minha escolha foi a pergunta: é bom por que? Seja pelo fator “mexa essa bunda gorda dançando” ou “músicas fofinhas pra ouvir enquanto faz sexo”, as bandas da lista tiveram algum impacto no canal auditivo deste humilde jovem que vos fala, logo mereceram entrar nesta lista tãããããão afamada. Claro, com certeza, poderia fazer um top 50 aqui, mas como o espaço é curto, vamos então as minhas bandas preferidas, que não estão em ordem de predileção, diga-se de passagem. Ah, explicação demais…Bora!

Hebron Gate – Groundation (2002)

Cá pra nós…as referências de reggae de qualidade estavam meio caídaças desde que Bob Marley foi tostar um com Jah. A não ser que buscássemos direto na fonte (que também está bem gasta, visto que na Jamaica, o que rola pesado atualmente é uma mistura de reggae com funk e sexo explícito…) nada de muito interessante apareceu por essas bandas. Teve o Matysiahu, com seu reggae judeu roots por um lado, um Natiruts e um Ponto de Equilíbrio de outro, e deus nos ajude, tivemos o mala do Armandinho, literalmente, “armando” uma presenpada que ele chamava de reggae.

Eis que me cai nas mãos esse bendito presente de Selassie. O Groundation foi beber nos primórdios do reggae, do dub…e do Jazz. É isso mesmo meu bom,  vc tá ouvindo aquele baixo presença, e logo, do nada, uma paulada de improvisãção de trompete que te faz querer ser rasta na mesma hora.  Podia ter escolhido outro album dos caras (que são americanos, detalhe), mas Hebron Gate, além de ser um poço de verdadeiras “pedras” moldadas ao som dos metais do Jazz e de influencias do Blues, conta com a participação de dois clássicos da radiolas: Don Carlos, do Black Uhuru e Cedric Myton, do The Congos. Jah, senhor dos senhores, rei dos reis…e o Groundation fazendo jus ao homem!

Songs for the Deaf_Queens of the Stone Age (2002)

Meu bom amigo Brasas que me desculpe, mas fico com o Songs for the Deaf como album mais fodaço do Queens. Rated R é bom, muito bom, mostrou pra que os caras do Queens vieram. O primeiro, homônimo, foi um soco no estomâgo dos que estavam acostumados com o nü metal do período. Mas Songs for the Deaf foi o album que levou o populacho a achar que o Queens of the Stone Age era a salvação do rock. E eles não estavam muito longe disso não.

Mas alguns fatores levaram a ocorrer essa transformação na banda. O principal foi a presença do nice guy do rock’n roll, Dave Grohl, assumindo a bateria e colocando ordem na banda. Por outro lado, temos um Nick Oliveri e um Josh Homme extremamente inspirados, compondo músicas que são verdadeiras porradas, falando de amor, desesperança, solidão, sempre de uma maneira altamente lisérgica.

Sim, música pra viajar, música pra bater cabeça, música pra dirigir a 120 km/h em direção a um abismo gritando “I can go with the flow”, ou olhando pro céu enquanto ele cai em cima de todos nós ou só ouvimos mais uma canção de amor. Intenso, bonito, pesado como um Hoffman 100 anos. Esse é o Songs for the Deaf e o por que do Queens of the Stone Age ser o que ele é hoje (aliás, volta Nick Oliveri, por favor…)

St. Elsewhere – Gnarls Barkley (2006)

Pode um disco que fala sobre morte, necrofilia, zumbis, e o bicho papão (!) ser um dos melhores albuns do ano? Pode, desde que esse album esteja na mão de um sujeito chamado Danger Mouse. O cara é um dos produtores mais inventivos dos Us and A e a outra metade, junto do rapper Cee-lo, do Gnarls Barkley, a coisa mais engraçada, dançante, criativa e loucamente pop dos ultimos tempos.

Com uma sonoridade calcada em milhares de referencias possíveis, do jazz, dance music, funk, soul,  metal… e muita, muita música da Motown, o Gnarls Barkley não apareceu pra mídia, ele explodiu com luzes brilhantes de uma discoteca dos anos 70, carregado pelo hit grudento de 2006: vai dizer que vc não ouviu Crazy 32767383 vezes naquele ano?

Mas engana-se quem acha que o Gnarls Barkley uma one hit band. Pelo contrário, os caras ainda tinham na manga ótimas músicas, pra fazer vó sair dançando na sala. Além disso, as apresentações dos caras são dignas de notas, tal como a do Grammy de 2006, onde a banda tocou Crazy, todos vestidos como personagens de Star Wars. Foda né, nem precisa dizer muita coisa. Dance, apenas…

Rebel Meets Rebel_Rebel Meets Rebel (2006)

Se tem uma vertente do rock que me agrada e o Southern Rock. Fico imaginando como deve ser legal morar no interior dos Estados Unidos, ver aqueles malucos rednecks empunhando suas guitarras e fazendo uma verdadeira bagunça country, com aqueles banjos malucos e tal. Agora, imagine o Pantera tocando com todo o peso e velocidade já típicos, tendo ao vocal uma lenda do outlaw country, David Alan Coe. Ié man, isso é Rebel Meets Rebel.

Pouco antes de empacotarem Dimebag Darrel, o que era pra ser uma participação de David Alan Coe com Phill Anselmo se transformou em um dos mais divertidos albuns daquele ano. Country bagarai, Trashzaço, rápido, pesado…e muito sacana, cheio de referências a jogo, bebidas, tiros, porradaria…e mulheres. A começar pelos gemidos danadinhos de “Nothin to Lose”, faixa que abre o album e que conta com Dimebag zoando David Alan Coe em uma partida de 21. Rebel meets Rebel, faixa que leva o nome do album, é country, com direito a violinos e um baixo endemoniado de Rex Brown e o já citado Darrel, sempre genial na guitarra. Além disso, o vocalista de mil faces Phill Anselmo dá as caras em um dueto com Alan Coe. Coisa finíssima, pra ouvir bebendo um whisky barato em brigar em bares na beira da estrada.

Toda vez que eu dou um passo, o mundo sai do lugar – Siba e a Fuloresta (2007)


Porra, anota isso ai: Pernambuco ainda é um dos maiores polos de produção musical de qualidade dessa nossa Brasilândia. Tivemos a maior revolução musical no Brasil dos ultimos tempos nascendo lá, com o manguebit da Nação Zumbi, Mundo LIvre S.A e por ai vai. E foi de uma das bandas surgidas nessa embolada de referencias pernambucanas, o Mestre Ambrósio, que nasceu a semente para esse projeto. Siba Veloso, um dos mais inventivos musicos na ativa no Brasil, saiu de São Paulo para a pequena Nazaré da Mata, pra se juntar com músicos regionais e criar essa benditan dessa Fuloresta. Voltado para as referencias regionais de Pernambuco, das lendas a musicalidade do coco, do frevo, da ciranda e por ai vai, mestre Siba monta um conjunto de histórias fantásticas, voltada para a simplicidade da música do povo sofrido, mas que encanta os ouvidos. Vale ouvir demais a faixa que dá nome ao albúm, uma verdadeira farra de metais  sobre a velocidade dos tempos modernos e, pros amantes de futebol e sofredores na segunda divisão, “Meu time”, o desabafo de um sofredor fanático justificando as falhas do seu time. Sensacional, simples e divertido…deve ter alguma coisa na água de Pernambuco, só pode…

Aha Shake Heartbreak – Kings of Leon (2004/2005)


E lá vamos nós de novo, voltar a parte mais caipira dos Estadis Unidis do Obamão. Agora, direto de Nashville pro mundo, três irmãos e um primo que começaram de maneira despretensiosa a tocar, influenciados com pelo pelo Led Zeppelin e pelo Lynyrd Skynyrd, agora começavam um plano de dominação mundial

O primeiro album dos caras já mostrava um lance totalmente novo. Uma sonoridade caipirona, mas “pra frente”, como diria minha vózinha, intercalada por baladas acústicas simples, fizeram o mundo inteiro se perguntar: “que porra é essa?”. E com Aha Shake Heartbreak os caras chutaram o balde, e mostraram que a salvação do rock não estava só em Nova York, nas mãos dos engomadinhos do Strokes. “King of Rodeo”, com um riff simplesão, uma linda de baixo simplesona e uma bateria…simples demais, aliado ao vocal afetado, mas fantástico de Caleb Followill, se transformou num hit instantâneo logo que eu a conheci. “Pistol of Fire” dá vontade de calçar as botinas e dançar batendo os pés no chão, enquanto “Day Old Blues” pede uma rede, um violão e um daquele do bom pra viajar vendo o Mississipi correr no por ai. The Bucket é tão alegre que chega a ser desconcertante. Bom, não dá pra falar muito, só ouvindo mesmo. E ai entendemos como esses irmãos e primo que queria tocar só pra arranjar umas groupies e tomar umas cervejas fáceis se tornaram os queridinhos do Bono, e dai pra frente, do mundo.

Wolfmother – Wolfmother (2006)


Fuck yé man, ainda bem que minha escolha randômica na lista das 25 chegou aqui. O Wolfmother, na minha singela opinião, é uma das poucas bandas que conseguiram de maneira perfeita mostrar que dá pra fazer rock simples e sem frescura, a moda dos antigos. Transcrevo aqui, com todo o perdão, um trecho que havia escrito anteriormente sobre a banda:

“A sonoridade da banda continua parecendo um choque entre uma camionete carregando o Led Zeppelin e um Maverick 68 com os integrantes do Black Sabbath, ao mesmo tempo em que o avião do Lynyrd Skynyrd cai por cima de tudo e os caras do ZZ Top veem a explosão em suas motos. Sonoridade sessentista, mas sem parecer anacrônica em momento algum.”

Andrew Stockdale, um dos sujeitos por trás do Wolfmother (aliado, nesse primeiro album a Chris Ross, baixo e teclados e sintetizadores, e Myles Heskett, bateria e percursão) parece ser um sujeito que caiu diretamente dos anos 60 nos dias de hoje, trazendo o que de melhor podia haver na música daquels bons anos. Um baixo do Butler? Tem. Riffs a Page? Tem também. Um vocalista que emula Robert Plant e as vezes soa como Geddy Lee? Teeeeeeeem. Aliado as temáticas das músicas (mulheres, unicórnios, gnomos e bruxas) o Wolfmother inventou o que eu considero um clássico dessa década, tocado a antiga (até os instrumentos e a gravação foram feitas como nos anos 60) mas pra mostrar pra NX Zero, Cine ou qualquer dessas porcarias enlatadas que ainda dá pra fazer música de verdade. Um salve dos novos para os antigos, e para com esse papo e me traz mais uma cerveja. Ah, não recomendei nenhuma música específica por que o album inteiro é bom, mas pra ajudar, de um youtube ai, e ouça “Colossal”, “Woman “e “Joker and the Thief”. Deve ser suficiente pra te convencer.

Super Taranta – Gogol Bordello (2007)


Eles são de todos os cantos do mundo, criaram a porra de um Punk Cigano, ou Folk Gipsy, são teatrais pra caramba, tem o visual mais legal de banda dessa década (vide o bigode e a faixa na cabeça do vocalista/ator principal, Eugene Hütz) e fazem bagunça…muita bagunça. Não dá pra falar muito, só ouvindo mesmo…

Ié dude, ISSO é Gogol Bordello, o único som no mundo que me dá vontade de tomar 3 litros de vodka e dançar sem camisa em algum festival no leste europeu.

Feels Like Home – Norah Jones (2004)

Agora, preciso pedir licença pra falar algo bem pessoal. Sim, sou apaixonado pela Norah Jones. Demais. Paixão platônica nível 10. Mas tem como não se apaixonar por ela?

E acredito que Feels Like Home foi composto com o único intúito de me fazer cair apaixonado. A voz suave, os arranjos fofinhos, a animação contida, tudo isso me faz cair de amores pela moça. Mas na época que mais ouvi esse album, estava entregue pra outra pessoa…é, música é foda, faz lembrar de cada coisa.

Cada música desse album é um pedaço de uma história apaixonada. Cada letra e interpretação de Norah Jones invoca um sentimento de bem estar que poucas músicas conseguem fazer. Saindo um pouco da linha “pequena diva do jazz” e viajando um pouco pelo country e pelo folk e por uma malandragem bem Nova York, minha pequena Norah criou um pequeno conjunto de pérolas. “Those swet words” e “What am i to you” são as fofissímas apaixonadas, que se seguem de uma “In the morning” malandra e de uma country feliz “Creepin’ In”.

E laiá, como é bom estar apaixonado…

Life Is A Big Holiday For Us – Black drawing Chalks (2009)

Tá bom, os caras arrebentaram em 2009. Melhor clipe, com “My favorite Way”, ok! Uma das melhores apresentações do Porão do Rock desse ano, ok!! Lançamento com melhores singles, hits certos em qualquer playlist de alguem de respeito, ok!!!

O Black Drawing Chalks foi a grata surpresa desse ano de 2009, e que voltou todas as atenções pra cena rocker de Goiânia, que deixou de ser uma grande fazenda esfaltada, berço das piores duplas sertanejas. O lance todo é: muita gente já sabia disso, só precisava alguem pra mostrar.

E o BDC fez isso com maestria. O primeiro album já era bom, mas com “Life Is A Big Holiday For Us” , esses senhores foram covardes. Listado entre os melhores albuns do ano em 11 a cada 10 listas de críticos musicais, o album fez com que a banda caísse nas graças da onipresente MTV, colocasse a banda no Multishow, e com que explodisse o número de download do album. Mas o que os caras tem de tão bom, fica a pergunta.

Primeiro, o BDC colocou o Brasil na fita do Stoner mundial. Músicas rápidas, viajantes, pesadas, divertidas. O show nem se fala. A cada música tocada, uma resposta em uníssono da platéia, inclusive esse jovem senhor que vos fala. Fiquei fã, de comprar camiseta nas mãos dos caras.

Além disso, os caras merecem o prêmio simpatia do ano. Porra, todo show que fui, acabei encontrando algum dos integrantes da banda e trocando uma rápida idéia…e eles são receptivos ainda.

Mas e as músicas. Porra, “My favorite Way” tem um dos melhores riffs desse ano, sem sombra de dúvidas. “My Radio” levanta defunto pra entrar em slam, “Don’t take my beer” é meu hino de bebaço desse ano e “I’m beast, i’m a gun” com certeza me fez lembrar os meus melhores momentos de Orange Goblin ou Alabama Thuderpussy.

Hoje, sem sombra de dúvidas os caras já são mais que um simples “Queens of the stone Age nacional”. Vida longa ao Black Drawing Chalks, e mais apresentações em Brasília, por favor.

Por enquanto é isso ai. Logo chego com a segunda parte da lista. No mais, feliz 201o “procês”, alegria e muita música na sua virada (ui…)

Lucas Bonachovski, desesperado, por ter que listar tantas boas surgidas nesses ultimos dez anos…foda…

2 responses to this post.

  1. Posted by Alexandre on 29 de janeiro de 2010 at 3:40 AM

    E ai Lucas tranquilo?Muito massa o blog, vou passar por aqui sempre, então queria deixar um pedido ai jovem, cade um post sobre o Rei do PoP,afinal 2009 foi um ano triste para a musica em geral certo? E ai ta ligado que influencio e dominou por um grande periodo o grande Michael.Fico no aguardo,Abraços

    Responder

  2. http://artepontocomvirtual.blogspot.com/
    http://elementozenarte.blogspot.com/
    ei Lucas beleza? depois dê uma conferida nos nossos blogzitos
    besos
    té mais…

    Responder

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