Archive for the ‘A singela beleza das frivolidades’ Category

Previously, on Bonachovski’s Blog…

Ao som de: Todos estão surdos_Pato Fu_Música de Brinquedo

Bom, a quase um ano atrás produzi meu último post para esse bendito repositório de textos inúteis que quase ninguem lê.

E muita, muita coisa aconteceu nesse espaço de tempo, entre o final de 2009 e agora, final de 2010.

Acabaram-se alguns traumas e entraves. Terminei a bendita monografia, meu monstro de estimação. Terminei um ano completo em sala de aula (meu karma, agora abraçado de vez). Não comecei nenhum namoro pra não correr o risco de terminar um namoro. Por via das dúvidas, me dei um tempo de prazo pra não enlouquecer, perdido no mundo dos relacionamentos. Ah, e não decidi me tornar homosexual, como um muy amigo falou que ia acontecer.

No entanto, ainda estive em completo estado de letargia para produção de inutilidades. Mas isso mudou.

O que ocorreu então? Bom, Existem poucas coisas nas quais eu me considero bom. Sério, não é drama nem trauma, nem nada. É uma constatação. Bom, eu queria mesmo ser bom em sei lá, preparar drinks ou lutar boxe. Mas nunca tentei treinar nada disso (cansa, sabe como é…). Por isso, resolvi investir onde realmente acredito que posso fazer algo útil e de qualidade…não, não é ser professor, isso é karma lembra?

Por isso, eis-me aqui novamente escrevendo sobre coisas nerds e afins. Tentei virar um “tumbleiro” mas se você, bom leitor, já acompanhava o Bonachovski das antigas, sabe que eu sou um cara verborrágico. Aquele espacinho não conteve minha torrente de informações e observações sobre o nada.

Bom, mudei o nome (a minha sociedade com o velho Marmota não tava rendendo muita coisa), mudei o tema, coloquei essa com a graminha (sei lá, afinal uso esse espaço como repositório de adubo cultural mesmo) e agora, to mais disposto a escrever novamente.

Por que? Bom, tem alguns motivos. Primeiro, a vontade de dividir com as pouquíssimas pessoas lesionadas o suficiente para ler o que escrevo minhas observações sobre o mundo cool nerd (ainda vou transformar esse conceito em algo famoso). E pra ganhar mulheres, claro…tá, eu sei que não vai rolar, mas não custa me enganar.

Então, vou parando por aqui, acho que já é informação suficiente, justificando o meu retorno.

Abraços e bom retorno pra vo6 também!

 

O Lucas Bonachovski de 2010: mais gordinho, mais sagaz...e o mesmo fanfarrão!

PS:  agradecimentos a Kyssylla e a Elisinha e o Gustavs, por (ainda) me incentivar a escrever de novo. A culpa é de vo6!

 

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Movies, Movies, Move: O Grande Lebowski

Ao som de: La Posada de Los Muertos_Mago de Oz_Gaia II La Voz Dormida

É comum, nesse mundão pop em que vivemos, alguma obra se tornar maior do que seus criadores esperaram. Tais obras se tornam quase religiões, com seguidores fiéis, que defendem seus filmes, livros, bandas preferidas como se defendensem a honra de suas mães. Já conheci trekkers (fãs de Star Trek) , excers (os paranóicos fãs de Arquivo X) e por ai vai. Mas os mais engraçados, e por incrível que pareça, mais coerentes nessa época niilista em que vivemos são os Dudeístas. Mas, nas palavras do velho sábio Platão: what a fuck is this?

Segue, em algumas poucas palavras, um trecho pra entender um pouco do dudeísmo:

…não se pode cometer o erro frequente de confundir dudes com hippies!
Hippies são meros bandos ingénuos de sentimentalistas que fumam demasiada ganja.
Dudes de mochila às costas, por outro lado, são independentes, bem informados, e suficientemente cínicos para saberem que as pessoas e as coisas não são intrinsecamente “todas boas”. Muitos deles também fumam demasiada ganja, mas isso é outro assunto. Pode-se dizer que os dudes são realistas que se revoltam contra idealismo excessivo, enquanto que os hippies são idealistas que se revoltam contra realidade excessiva. Assim, o mandamento dude é o mesmo que o de Voltaire, o de Samuel Johnson e o de Thoreau: Tende para o teu próprio pequeno jardim e conserta a vedação do teu vizinho.
Os
hippies, por outro lado, pensam que o mundo inteiro é um jardim sem vedações, e depois ficam desapontados quando as pessoas disparam contra eles por invasão de propriedade. Esta seria uma excelente época para convocar Adão e Eva, mas os dudeistas não acreditam que essa treta tenha alguma vez acontecido.

Mas o que diabos levou ao surgimento de uma filosofia tão interessantemente maluca?

O Grande Lebowski, claro.

O filme de 1998, só demonstra algo que eu tenho sacado no passar dos ultimos meses: os irmãos Cohen acertaram mais uma vez.

No filme, Jeff Bridges intepreta Jefrey Lebowski, um desempregado convicto que, por escolha própria, resolveu levar sua vida sem maiores preocupações com coisa sem importância como contas de energia, aluguel, impostos e outras miúdezas. Sua maior preocupação é ouvir em seu walkman a coletânea do Creedence enquanto fuma um do bom, além de ter sempre a mão um White Russian, um drink escroto feito a base de vodka e leite! (!). Nas horas vagas (ou seja, quase sempre) Lebowski se dedica ao seu esporte favorito, o boliche. Na companhia de seus dois melhores amigos, Walter, um veterano surtado do Vietnã, recém separado da esposa (um dos melhores papéis de John Goodman, hilário) e Donny, o sempre censurado companheiro do time de boliche ( um Steve Buscemi extremamente normal, mas não por isso menos engraçado do que de costume).

losers...but happy...

Lebowski leva uma vida que todos considerariam patética. Mas em sua perspectiva de vida, aquela é a melhor das vidas. Tranquila, se aporrinhações e encheções. O “The Dude” (como ele se auto denomina) leva a risca a filosofia do “deixa a vida me levar”, desenvolvida pelo nosso “Cara” nacional, Zeca Pagodinho.

Até que um dia, sem mais nem menos, Lebowski tem sua casa invadida por bandidos que o confundem com um outro Lebowski ( o rico) e, como forma de extravazar a frustração por terem confundido dois sujeitos totalmente distintos, mijam no tapete do nosso Dude. E, em busca de um tapete pra chamar de seu, Lebowski, o pobretão, se vê envolvido em uma trama de violência, mentiras e boliche, junto de alemães niilistas, a industria pornô, uma artista contemporânea performática e toda sorte de malucos simplórios da fauna típica estadunidense.

Os irmãos Cohen conceberam uma fábula sobre a busca pela tranquilidade. The Dude, o patético, as vezes é mais coerente que qualquer um de nós, levando uma vida simplória. Mas será que precisamos mesmo viver em função de dinheiro, poder, status e esses outros detalhes aos quais a sociedade dá tanto valor?

No fim das contas, terminei de assistir ao filme com uma baita inveja do Dude. Por que a vida que ele escolhe levar simplesmente foge de todas as regras aos quais somos forçados a conviver, muitas das vezes, acreditando que não temos alternativa a não ser nos render. Negar o Status Quo, é isso que o Dude faz. Alguem ai lembrou de um outro Dude? Talvez, um cara chamado…Jesus?

Não me espanta uns malucos terem criado uma “religião”. Sempre terá alguem precisando de algo pra seguir, as vezes, ate nós mesmos. Na falta de algo melhor, por que não ser um pouco “Dude”. Fica ai a sugestão.

E pra acabar, mais uma vez, a constatação do óbvio: esses irmãos Cohen sabem o que estão fazendo mesmo.

PS: não ia citar todos os ótimos atores do elenco do filme, mas percebi que era preciso. O filme conta com a participação da sempre charmosíssima Juliane Moore, além de Philip Seymour Hoffman, a gata Tara Reid (eterna mina do American Pie), Peter Stormare e uma ponta muito engraçada de Flea, baixista do Red Hot Chilli Pepers, além do sempre, sempre fodaço John Turturro. E ele é simplesmente o coadjuvante que rouba a cena como Jesus, o jogador de boliche latino cheio de trejeitos. Tem como ser menos engraçado?

PS2 etílico: vou deixar a receita do White Russian, pra quem quiser se arriscar. Se der certo, avise-me…

Seu preparo é simples. Em um copo de uísque, coloque:

  • 1 dose de vodca,
  • 3/4 de licor de café (Kahlúa, por exemplo)
  • Adicione um pouco de leite ou creme de leite
  • Misture com pedras de gelo no próprio copo ou bata em uma coqueteleira

Lucas Bonachovski, querendo uma vida mais tranquila…

O meu coração, um velho porão.

Por: Bárbara Figueira

Ao som de: Peito Vazio_Cartola II (1976)_Cartola

 O meu coração é uma peça de carne barata exposta num açougue de esquina.

Toda essa questão gira em torno de um verbo, quem sabe até seja ele a minha palavra de ordem, desde os oito meses quando minha boca desdentada começou a esborçar seus primeiros fonemas: falar.

Se um dia você me conhecesse notaria que eu não sou o tipo de garota calada. Não. Ele até me disse uma vez a bendita frase: ” Você é tempestade pra minha vida” com o sorriso de quem guarda algum tesouro. Mesma frase essa que três anos depois me foi repetida em tom de cansaço monocordio: e a tempestade então, aquela mesma tempestade que de início era a promessa de romance montanha-russa, passou a ser o motivo do fim do nosso amor. Sim, eu sou tempestade demais pra vida desse moço que não sabe o que fazer das próprias mãos.

Vamos voltar então ao ponto central. Talvez eu não dê conta porque meu pensamento é rizomático. Tentarei dessa vez um esboço didático, uma tentativa apolínea de mostrar como anda minha cabeça-alma dionisíaca ( Dionisíaca sim, e isso sempre minha fortuna e desespero): Eu não posso, eu não consigo , mesmo frente ao muro de desapego, mesmo frente àquela cara neutra morta inexpressiva imemorável me calar:

          ” Eu só quero que você saiba que um pedaço grande de você ainda mora em mim e eu se pudesse arrancava esse negócio assim com a minha mão…”

Assim, tosco. Direto.

” Deixa eu te falar… deixa eu falar! Não, não é porque eu bebi… não… deixa eu te contar que o dia em que você me disse   ‘ olha, acabou o amor’ veio uma luz clara e o mundo inteiro se abriu…”

 Ele não entende. Ele não consegue compreeender que tudo isso tem a ver comigo, pequena menina voluta, e ele tem que ser meu ouvinte fiel, meu objeto recorrente de um sentimento que mora no meu corpo. Só no meu.

Eu falo. Eu não consigo me calar nunca e isso não é uma hiperbole, uma metáfora ou coisa que o valha. Eu falo e reino absoluta no mundo da sinceridade, porque tudo o que eu tenho a oferecer é esse meu amor cantado, etereo, fraseado e verdadeiro. Eu falo porque minha coragem suicida me impulsiona a arrancar e deixar cair meus pedaços de máscaras pelo chão. Eu falo porque é n e c e s s á r i o. Absolutamente necessário. Eu falo pra não padecer.

 Siiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiimmm! Façamos com que nossa perda, nossa dor seja nosso amado tabu exposto!

 Siiiiiiimmmmm! Peguemos nosso coração carne de 2º  e expunhamo-lo em carne viva quando assim nos apetecer.

Sim, porque nossa coragem é nosso maior trunfo e minha verdade me alimenta a não calar jamais.

Eu, intrépida aventureira. Eu, um quixote de patins, vou decidida e com a ajuda de um pequeno bisturi abro espaço entre meus seios: o centro da minha caixa toráxica. Com a ajuda de meus dedos abro caminho por entre a estrutura óssea, as veias e o sangue e o capturo. Então, lá está ele em minha mão: grande, pequeno, capenga. Pulsando. Estico minha mão cheia de veias e sangue, com aquele vermelho coração-trator. Ele olha e calado vai embora, sem uma palavra sequer.

Daí eu entendo… que coração que nada. Pra algumas pessoas é preciso ter estômago.

[nota bonachovskiana] um clipe propício?talvez…

Gnarls Barkley_Who’s Gone Save my Soul

Desmundo

Ao som de: Naked As We Came_Iron & Wine _Our Endless Numbered Days

Bárbara, que as vezes acredita ser uma representação antropomórfica da morte...mas não aquela de foice e capuz, e sim a do Neil Gaiman, bem mais divertida, diga-se de passagem...

Bárbara, que as vezes acredita ser uma representação antropomórfica da morte...mas não aquela de foice e capuz, e sim a do Neil Gaiman, bem mais divertida, diga-se de passagem...

Esse texto foi gentilmente cedido (tudo bem que eu insisti um pouco) pela nossa nova colaboradora, Bárbara Figueira. Ela que já foi flor, foi capa de chuva e galochas, lampada fluoresente, atriz profissional e platéia as vezes,  agora tentando desenvolver vários clones de si mesma para conseguir fazer tudo que lhe dá prazer, aparece agora por aqui, mostrando toda sua sensibilidade. Eu me identifiquei, quem sabe você não se encontre nesse texto tbm.

Desmundo

Um palco. 14 corpos.

Eu sou o olhar aflito da Micheli . Ela, ela ou um alguém qualquer. Ela é um alguém qualquer. E nesse mundo de nós ( somente nós) um alguém  já não vale quase nada.

Agora ela é ela e nada é nada. Todos sentam e há no corpo uma ferida aberta que pulsa latente, num estorpor de dor.

– Oi.

– Oi.

Eu sou a mão ansiosa da Micheli. A pequena mão sem lugar num corpo tão aberto. O corpo aberto recebe, mas não oferece nada. O corpo aberto não consegue filtrar o turbilhão de energia que o atravessa.

Ela é uma peneira de estrelas inúteis.

A menina janela se debruça sobre a tela cheia de luz e chora como se fosse criança. E pela primeira vez, desde a sua infância, ela chora e soluça até dormir.

Eu sou o estômago ferido da Micheli. Eu sinto sua indigestão. Eu sou sua indigestão, o seu enjôo, o seu suco gástrico corroendo as paredes misturado aos doces de anteontem.

A menina bílis pára, olha para o céu e se identifica com o pano negro sem uma estrela qualquer… ela é como o céu naquele momento: tão grande que não tem pra onde ir.

Então, com seu vestido de tuli negro e vermelho ela começa a pensar em tudo aquilo que não foi por medo, que não foi por precaução e pensa que tudo aquilo foi tão necessário e tão ruim e tão bom, que ela só pode agora ser menina-decadente-reluzente graças aos seus medos. E como ela tinha, meu deus…

E dançando sobre o piso de madeira e poeira, com aqueles 13 corpos que eram ela também, Micheli só deseja ter a quem amar. Amar , sabe? Amor pessoa, pessoa carne, pessoa bom dia, pessoa parque, pessoa veia e sangue. Ela só deseja alguém que lhe faça amor e café. Mas no fundo daquele abismo arco-íris ela sabe que um qualquer alguém que não fosse ela mesma não adiantaria… uma tentativa tão inocente quanto inútil e resolveria as coisas de modo tão paliativo…

Dança. Dança, dona moça que dançando tuas lágrimas se transformam em rio, em água doce pra te banhar.

Eu sou o coração partido da Micheli.

.Bárbara Figueira.