Archive for the ‘Barulheira’ Category

10 Melhores discos pra ficar feliz com a tristeza alheia – por Leonardo Brasas

Por Leonardo Braseiro

Ao som de: Aceito seu coração_Roberto Carlos_1969

Essa lista só não é mais triste que o Sad Keanu...abudeusi, dá vontade de dar um abraço nele...

Particularmente falando, sinto um paradoxo muito excêntrico quando fico sabendo de notícias sobre tragédias naturais apocalípticas, ataques suicidas de terrorismo, assassinos seriais absurdamente psicóticos e toda desgraça em geral: Ao mesmo tempo em que sinto uma extrema alteridade e empatia pelos mortos e sobreviventes sinto também uma enorme alegria por esta merda toda não ter acontecido comigo.É aquele clássico sentimento do: “Ainda bem que não foi comigo”;sentimento este que acaba sendo bom, pois o faz repensar o caminho, aproveitar as pequenas coisas e principalmente valorizar a vida.Olhando por este prisma notei que musicalmente falando adoro discos, músicas e artistas tristes, deprimidos e suicidas.Pelo simples fato de que a desgraça alheia me faz feliz por não ser eu o desgraçado em questão, mas diretamente falando é porque: música  triste me deixa feliz!

Baseando-se neste preceito egoísta-humanitário (eu realmente deveria me alistar na Cruz Vermelha ou na Juventude Hitlerista…dúvida cruel) elaborei esta lista dos 10 melhores discos pra ficar feliz com a desgraça/tristeza alheia.E parafraseando Woody Allen:

“A vida é uma merda, mas passa rápido demais.”

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Meus dois melhores auto-presentes de Natal_parte 2

Ao som de: Sweet Leaf_Master of Reality_Black Sabbath (1971)

(Pronto Ryunoken, tá ai o segundo presente…rs)

Tá, eu admito. Quando eu era jovem, a muito tempo atrás em uma galáxia não tão distante…eu já fui um tanto headbanger. Não daqueles extremistas (leia aficcionado por black metal). Eu até era bem sociável. Mas mesmo assim, já andei com camisetas de bandas, usei all star sem lavar durante meses e já devo ter gritado “ero, ero, ero pau nó %$ do pagodeiro”.

Bom, o tempo passa (amém) e os comportamentos mudam, você amadurece e vê que existe vida além do metal. Mas o que ficou desse tempo é o bom gosto pelas guitarras distorcidas e rápidas do heavy metal.

Não dá pra negar que o Black Sabbath teve um efeito arrebatador na minha visão sobre a música. Em uma época que o meu acesso ao rock em casa era o Legião Urbana (tá, vergonha alheia pra mim agora), o Creedence e o Dire Straits e muito do grunge nos anos 90, descobrir o Sabbath, o Led Zeppelin e outras bandas precursoras dos anos 60 foi como achar um baú do tesouro. Mas logo viria o Maiden, com o saudoso “Best of the Beast” e minha vida nunca mais foi a mesma.

Isso tudo nos leva ao meu SEGUNDO auto-presente de Natal. Esse ai:

Título: Heavy Metal – A História Completa
Título Original: Sound of the beast – The Complete headbanging history of Heavy Metal
Autor: Ian Christe
Tradução: Milena Durante e Augusto Zantoz
Editora: ARX (R$49,90)

Ian Christe, o autor desse compêndio sobre a história do metal, escreve para várias revistas influentes da Europa e dos EUA. Gabarito o cara tem. A grande sacada de seu livro é que ele é um apaixonado por heavy metal. Isso transparece em seu texto constantemente, o que torna a leitura ainda mais interessante.

Mais além, o livro mostra como o metal surgiu como meio de ocupar uma lacuna musical e comportamental nos anos 70, em uma cena cultural dominada pela disco music e o punk. O movimento hippie não mais conseguia exprimir a insatisfação da juventude e o heavy metal chutou o balde dos ideais “flower power” de paz e amor para dar vazão a raiva e a insatisfação de um período marcado pelo Vietnã e pela Guerra Fria.

Tendo como marco inicial o surgimento e desenvolvimento do Black Sabbath, o metal viria a se transformar e a se desdobrar em várias vertentes distintas. Na Inglaterra, o New Wave of Britsh Heavy Metal, que carregava em sua bagagem bandas como Motörhead, Iron Maiden e Judas Priest viria a influenciar os jovens americanos de maneira intensa, levando ao surgimento do trash metal do Metallica, Slayer, Anthrax. E o livro ainda passa pelo surgimento do Black Metal e o “inner circle” (dos incendiários de igrejas cristãs, lembra?) até a clássica rixa entre Burzum e Mayhen (todo fã de metal tinha que saber que o bicho do Burzum matou o bicho do Mayhem, óbvio – nas palavras do meu bom amigo Marmota).

Enfim, da ascensão ao ostracismo até o retorno triunfante, Heay Metal – A história completa é um documento importante que ajuda a entender como definitivamente o heavy metal se instalou em nossas vidas, quer você goste ou não.

Vale a pena gastar um dinheirinho ai nesse natal. Larga de ser pão-duro e compre um livro (ou uma hq boa também!)

Lucas Bonachovski, que agora está pensando seriamente em deixar o cabelo crescer e tocar baixo em uma banda…não, mentira, não conseguiria uma semana como cabeludo…eco…

Meus dois melhores auto-presentes de Natal_parte 1

Ao som de: I Want You To Know_Farm_Dinossaur Jr. (2009)

Como é tradicional no Natal, eu odeio (quase) todos os presentes que me dão. Calma mundo, não se culpe, sério. Não é culpa de ninguem eu ser tão chato e seletivo com o que visto/leio/ouço/uso como forma de entrar em outros estados de percepção.

Por isso, eu mesmo costumo comprar meus presentes de Natal, pra evitar o stresse e o sorriso amarelo ao dizer “nossa, era o que eu queria” ao receber uma caixa de meias ou de cuecas, ou um cd da Maria Gadú (Ximbalaiê é o caralho, só pra constar).

Então, sem mais delongas, meus dois melhores presentes desse ano foram:

Vida – a biografia de Keith Richards (editora Globo)

Tá, vai dizer que você também não quer saber mais sobre a vida de um cara que misturou as cinzas do próprio pai em uma carreira de cocaína?

Keith Richards é uma lenda, fato. O sujeito é uma das pedras fundamentais dos Stones (juro, a infâmia de pedra e “Stones” só me surgiu agora), é um dos guitarristas com mais personalidade destes tempos musicalmente infame que vivemos…e sem sombra de dúvidas já ingeriu mais drogas do que qualquer ser humano.

No entanto, descobrir aos poucos o que fez Richards se tornar tão genial é uma viagem a parte. De jovem que não se encaixava no que era imposto em uma rígida sociedade londrina pós Segunda Guerra a rock star desorientado, ocorreram muitas idas e vindas. O livro (até onde li…tá, to escrevendo mesmo sem ter acabado…) mostra um sujeito obcecado por absorver as influências e tocar como os maiores blues man norte americanos, como Muddy Waters, Bo didley e B.B King, mas que também começa a entender que o rock’n roll já estava se tornando um fenômeno cultural que mudaria o mundo. O início dos Stones, com Mick Jagger e Brian Jones em uma casa sem aquecedor em pleno inverno londrino. Charlie Watts entrando pra banda, o início do sucesso dos Stones na Inglaterra e posteriormente nos EUA/mundo…e o primeiro baseado.

Enfim, é incrível ver como o talento/esforço levaram Keith Richards ao sucesso (que nem era seu objetivo principal ao tocar com os Stones). E, mesmo sendo extremanete piegas, vale ressaltar que Richards é um exemplo de que paixão pelo que se faz pode te levar a alcançar seus objetivos (no caso dele, SÓ tocar com Muddy Waters…).

Presentão…mesmo…e agora, vou ler mais um pouquinho…

Lucas Bonachovski, querendo agora se tornar um astro do rock tocando xilofone…sim, eu posso!

movies, movies, move: It’s All Gone Pete Tong

Ao som de: A Letra A_Nando Reis e os Infernais_Ao Vivo MTV

Fim de ano é uma época foda pra quem é professor. Acompanhar as férias escolares é canseira, você sai de um ritmo corridíssimo pra um maramos chapante. O que fazer nessa situação: assistir muito, muitos filmes.

E foram vários, uns bons, outros mais ou menos, outros inesperados. Mas vamos lá, falar (mais) sobre filmes. Aliás, tá ficando preocupante minha situação de morgação extrema. Ao ponto de um grande amigo me mandar “praticar produção de bebês”. Enquanto não chega o ano novo, e minhas promessas de diversão extrema ( que nunca coloco em prática), vamos aos filmes.

It’s all gone Pete Tong (2004)

Aqui na Brasaslandia, o fime foi chamado de “Ritmo Acelerado”, mas como odeio essas traduções de títulos estrangeiros (que quase nunca acertam na transição para um título melhor) fiquemos com o original, que por sí só já fala bastante sobre a temática do filme. O título faz  um jogo de palavras em cima do nome de um D.J. inglês, Pete Tong, mas na verdade quer dizer  it´s all gone wrong – vai dar tudo errado. E é o que acontece.

O filme/ documentário  conta a história do famoso DJ Frankie Wilde, uma lenda viva que tocou nas melhores boates de Ibiza. Sucesso, dinheiro, mulheres e as melhores drogas eram rotina para Wilde. Até que, por causa de um problema de  congênito, Wilde passa a perder gradativamente sua audição. E um D.J. que não ouve nada, bom, está com problemas sérios. Nesse momemto, Wilde vai do auge a derrocada na mesma velocidade em que aprecia uma carreira de pó. Sua esposa o abandona, seus contratos com as gravadora são cancelados e suas apresentações também. Frankie Wilde entra em desespero total, tenta suicídio, mas encontra forças para sobreviver ao conhecer Penelope, sua professora de leitura labial. E nesse momento, Wilde descobre também que, atráves de seus outros sentidos, ele poderia voltar a produzir seu som, ao perceber as vibrações das caixas de som e a parte gráfica das frequencias, emitida pelo computador.Logo, Wilde faz sua ultima apresentação no Pacha, um dos mais famosos clubes de Ibiza. E ao voltar para o ápice de novo, Wilde desaparece sem deixar vestígios.

"Eta Vidinha mais ou menos..."

Esta é uma história linda, de superação e esperança. Só tem um problema: a porra do Frankie Wilde nunca existiu!!! O filme na verdade é um mockumentary, um falso documentário. Mas os produtores foram tão inteligentemente sacanas que colocaram renomados DJ’s, do naipe do Tiesto, para fazer declarações sobre como Wilde influenciou toda a geração de dj’s dos anos 90 e 00.

Isso no nariz dele é...hã...é...saca aquele lance...hã...ah, deixa pra lá...

Resumindo: o filme é legal “bagarai”, tem uma das melhores representações sobre o vício sobre drogas que eu já vi no cinema (o ursão de pelúcia gigante, com o nariz sujo de pó e forçando Wilde a usar a farinha que sua vó não usa no bolo é hilário), tem uma trilha sonora pra cima, se vc curte dance music dos anos 90, além de ser um exemplo de que uma mentira  bem feita pode se tornar sim uma verdade. E eu como fã de música eletrônica pré trance pop pra playboy (Chemical Brothers e Daft Punk, ow fucking íe), me diverti…aprovado!

Listas, listas, listas_2009_parte 1

"Top 5das cinco pessoas que devo matar por vingança pela tentativa de assassinato contra minha pessoa, usando uma espada Hatori Hanzo"

Bom, o que seria de um blog no final do ano, sem listas das mais variadas?

Seja dos melhores clipes, bandas, seriados…até das melhores cervejas, vinhos, doces de abóbora feitos artesanalmente, pra todo lado pululam listas e mais listas.

Nesse sentido, o Bonachovski Brothers Experience não ficou pra trás. A partir desse Natal (que não é mais uma festa pagã, infelizmente…queria ver umas virgens dançando nuas em volta de fogueiras, pra variar um pouquinho…) vamos listar o que foi considerado o melhor e o pior desses ultimos dez anos do século 21.

Dez anos não é pouco tempo. Depois de ameaças das mais variadas, do fim do mundo ao bug do milênio, podemos dizer que sobrevivemos. Não muito bem claro, ainda temos o Didi aos domingos, sinal de que o mundo ainda precisa achar um rumo.

Então, antes que 2012 chegue, ai vão, as listas para vo6, três leitores se divertirem(os outros três estão agora de férias, em lugares paradisíacos e não tem o mínimo interesse em ficar discutindo listas…).

Bora então…

Os 10 melhores álbuns internacionais da década, por Braseiro.

Eis ai, o meliante…

Bom, conhecendo meu bom e velho amigo Leonardo “The Brasas Man Vibration” Braseiro e todo seu conhecimento, não dava pra esperar uma lista diferente. Levando em consideração os mais importantes aspectos para escolher os albuns (inovação, referências, propostas musicais) Brasas  mandou dez albuns que já estão no rol dos clássicos dessa década.

Então, sem mais delongas…eis suas escolhas. Agora, cabe a você julgar…(caramba, isso foi intenso…”cabe a vc julgar”…poderoso mesmo…)

10-Heartbreaker-Ryan Adams


Não é pela onda retro country-folk que anda em voga,não é porque ele fez parte do Whiskeytown e não é porque “Come pick me up” é a canção mais arrasa-quarteirão da década.Heartbreaker possui aquela honestidade e pureza que só se encontrava nos discos de Nick Drake e Gram Parsons.Em pleno ano 2000 um álbum soar tão country-folk e ao mesmo tempo tão atual é coisa realmente pra se notar.Quando a cozinheira quer cozinhar em panela de barro é uma coisa;quando ela faz um arroz com pequi maravilhosamente bem nela aí já é outra história completamente diferente.

09-Franz Ferdinand-Franz Ferdinand


Como dizia Jorge Ben:”Senta,…dança…tem que dançar dançando!…Dançando!”.O rock nestas últimas décadas se tornou um ritmo que se apreciava mais com a cabeça do que com os músculos.Bandas dançantes a partir de então se tornaram vulgares,primitivas e obsoletas.Vide o Radiohead,Strokes e Oasis só por via de  comparação.O Rithm and Blues de Brineys,Beyonces e quejandos ditava a onda das pistas.E eis que surge de repente um bando de escoceses loucos que emulavam The Fall e The Jam com uma pegada que inerentemente vai te fazer remexer os quadris.Quem aew nunca remexeu ao som de “Take me out” que atire a primeira pedra.

08-Return to Cookie Mountain-TV on the Radio


Se eu tivesse que escolher um álbum pra representar a década 00 esse álbum seria Return to Cookie Moutain.Denso,movimentado,brutal e vazio.Exatamente como nossa última década.Barulho e silencio se misturam como nunca aqui.Rock e soul,eletrônico e elétrico,Jesus and Mary Chain e Smokey Robinson.”É o fim do mundo como nós o conhecemos…e eu me sinto bem.”

07-In Rainbows-Radioead


Patenteia isso:O Radiohead é a maior banda do mundo,ponto.Tanto por questões musicais e artísticas quanto também criativas e tecnológicas.Lançar um álbum com a possibilidade de pagar o quanto voce quiser pra poder baixa-lo é mesmo uma tacada de gênio.Fora toda essa conversa os caras ainda me lançam um discaço soberbo cheio de melodias quebradas,novos timbres e novas possiblidades.Sacanagem né?

06-Sounds of Silver-LCD Soundsystem


Um disco bruto,mas extremamente dócil.Underground,porém singelamente pop.De batidas duras e secas,em contrapartida facilmente dançante.Em certos momentos você acha que está em alguma discoteca em 1984 mas então percebe também que soar retro é só parte do jogo.É um paradoxo musical cheio de nuances dançantes e pasmem…belas.”New York i love you but you freak me out”

05-Rated R-Queens of Stone Age


De tempos em tempos o rock é dado como morto ou esvaziado.E de tempos em tempos aparece alguém pra faze-lo ressurgir das cinzas como uma fênix enfurecida.Rated R é a fênix dos anos 00.Josh Homme que depois do influente e lendário Kyuss, andava meio sumido nos mostra, nesse segundo álbum toda sua potência para compor riffs turbinados,letras escatológicas e um peso absurdamente acachapante.Tá aí “Fell good hit of the summer”,”Monster in parasol” e “The lost art of  keeping secret” que não me deixam mentir.Disseram na época que eles seriam o novo Nirvana.Cobain pode se remexer no túmulo pois eles são melhores,bem melhores.

04-Modern Times-Bob Dylan


O rock sempre foi um gênero musical relacionado com a juventude,sua rebeldia latente e espontaneidade de viver.Robert Zimmerman tinha 65 anos quando lançou Modern Times.Sim amigos o rock também tem seus momentos de arte pura.Como bem definiu o jornalista paulista Marcelo Costa “Modern Times” é “um disco que não é para a molecada dançar na balada urrando as letras… …. muito menos para ser ouvido enquanto se passa manteiga no pão no café da manhã. Dylan precisa de mais atenção. “Modern Times” é um disco de temática quase antagônica, falando sobre sexo e morte. E também sobre amor. E também sobre um mundo que está se desintegrando na frente dos nossos olhos. Ou será tudo a mesma coisa? É um disco para se ouvir em um bar acompanhado de luzes que se misturam com a fumaça de cigarro num balé melancólico. Seu autor ousa relembrar que mesmo tendo vivido mais de seis décadas de vida, o mundo continua um lugar imperfeito, solitário e vazio. Mas o próprio, em entrevista ao jornal USA Today, atesta que não há nada de nostálgico no álbum. Nostalgia, quem diria, é objeto de culto muito mais juvenil.” Um minuto de silêncio!

03-Funeral-Arcade Fire


Uma obra prima.Como uma tela de Picasso ou um filme de Bergman.Tem a morte como tema predominante e o amor como fuga inescapável.Com a utilização de instrumentos nada convencionais ao universo pop como xilofone,acordeon e violinos o Arcade Fire tira beleza da melancolia em forma de músicas tão doces e tristes que em alguns momentos chegamos a aceitar que a vida é sim dura,triste e curta,mas curta demais.”Crown of Love” e “Rebellion(lies)” estão entre as músicas mais devastadoramente belas da história da música pop.

02-Is this it-The Strokes


Sim eles são playboys endinheirados.Sim suas roupas são meticulosamente desajustadas e seus cabelos milimetricamente desarrumados.Sim suas músicas são releituras conteporanêas de Velvet Underground,Television e MC5.Mas porra,é um som bom pracaralho.Inspirado,bem executado e de letras acimas da média.É verdade quase tudo o que dizem sobre“Is this it” e os Strokes inclusive que lançaram um dos melhores discos da década.Difícil de explicar mano.

01-Yankee Hotel Foxtrot-Wilco


“Você precisa  aprender a morrer se quiser continuar vivo”.Em minha modesta visão se trata de uma obra conceitual onde os finais de uma música se definham no começo da canção seguinte;mas sem uma idéia ou conceito fixo que amarre conceitualmente o albúm inteiro.Mas detalhes a parte, o que chama a atenção em “Yankee Hotel Foxtrot” é a simbiose perfeita entre melodias agridoces folk-country-pop e uma incômoda experimentação eletrônica que permeiam todas as músicas, transformando a audição do álbum num enorme  mosaico musical em que se misturam emoções,timbres,medos,solos,tristezas,ruídos e corações partidos.É a sensação plena confirmada pelo presente atual e pela década que passou; de que por mais que a tecnologia e a técnica estejam mais avançadas do que nunca, nossas emoções ainda continuam baratas,mesquinhas e individualistas como sempre.”I’ve got reservations/About so many things/But not about you”.

movies, movies, move: E ai, meu irmão, cadê você?

Ao som de: Methamphetamine_Tennessee Pusher_Old Crow Medicine Show

Existem dois recortes temporais que me fascinam: um deles é o Rio de Janeiro em fins do século XIX, ainda antiga capital do Brasil, com seus cortiços lotados, um clima de mudanças políticas cada vez mais intenso e uma malemolência carioca legítima, que não se encontra em qualquer boteco do cruzeiro (piada brasiliense, desculpas aos que não entenderam…)

O outro, são todos os estados caipiras do US and A. Tennessee, Alabama, Kentucky, e todos esses lugares onde, nos filmes, a vida parece passar com muito mais vagareza e tranquilidade que nos lugares comuns.

Agora imagine um filme que tem como pano de fundo um Mississipi abalado pela quebra da bolsa de 1929, onde três malandros recém fugidos de uma fazenda criminal saem em busca de seu tesouro escondido, buscando melhorar a vida tão complicada daquele período.

Essa é a premissa básica de “E ai, meu irmão, cadê você”, filme de 2000, dirigido por Joel Cohen. Básica, por que o filme segue em um rumo fantásticamente inesperado.

A começar pelo roteiro, que é uma adaptação baseada na obra clássica de Homero, “A Odisséia”. De uma maneira bem bizarra, Ulisses, o mítico herói grego que lutou em Tróia ao lado de Aquiles, se transforma em Everett Ulysses McGill, interpretado fodasticamente por George Clooney, um trambiqueiro falastrão, de conversa fácil e viciado em goma para o cabelo. Ao seu lado, o sempre mal-humorado Pete (John Turturro, sempre ótimo) e o inocente Delmar (Tim Nelson Blake). Após a fuga da prisão, os três sujeitos conseguem se enfiar em tudo quanto é tipo diferente de enrascadas para encontrar um dinheiro roubado antes que Ulysses fosse preso.

The Soggy Botom Boys...e a fanfarronice de George Clooney...

Nesse meio tempo, o trio se junta ao guitarrista Tommy, que conheceram em uma encruzilhada, após ter vendido sua alma ao Diabo para aprender a tocar violão (uma das mais famosas lendas do universo do Blues americano). E nesse encontro, sem imaginar, os quatro produzem sem querer o maior sucesso musical daquele período: Man in a Constant Sorrow.

Já aproveitando o gancho, “E ai, meu irmão, cadê você” possui uma das melhores trilhas sonoras que eu já tive o prazer de ouvir. Casando de maneira fantástica com o contexto histórico do filme, as músicas vão dos clássicos do blues e do country e folk americanos, interpretados por músicos fodaços da cena musical americana, tal como Alisson Krauss (que recentemente gravou um album cheio de prêmios com Robert Plant).

Os três Soggy Botton Boys (ou traseiros encharcados…como ficou conhecida a banda de Ulysses) seguem a vida por uma América pobre, aproveitadora e politicamente suja, mas ao mesmo tempo, com uma cultura e valores interessantíssimos.

E o fator comédia não deixa a desejar: George Clooney, pra mim, é um dos grandes atores da minha geração. Mesmo com aquele jeito fanfarrão de sempre, ele fica engraçadíssimo quando assume peronagens caricatos como Ulysses. E nem preciso falar de John Turturro. O cara é sempre magnífico em suas interpretações de personagens cômicos. A cena em que os três encontram uma reunião da Klu Klux Klan, é impagável.

No fim, terminei de assistir o filme com uma certeza: definitivamente, esta já está no meu top dez de melhores comédias. Com um humor rebuscado, ora sútil e ora “trespatetamente” escrachado, o filme mostra que novamente música e cinema se completam muito bem.

Fica ai, de bandeija, o Dan Tyminski Band, ou o original Soggy Botom Boys, que interpreta a versão de “Man in a constant sorrow” cantada no filme.

Lucas Bonachovski…é um homem em constante lamento, que já enfrentou difculdades, a vida inteira…

Hellsongs_Hymns In the Key of 666…ou, colocando ordem no caos.

Ao som de: Thunderstruck (AC/DC cover)_Hymns In the Key of 666_Hellsongs

Situação: imagine-se em uma savana africana, aquele calor absurdo. No horizonte, algo preocupante: um estouro de rinocerontes enfurecidos vindo em sua direção. Correr não adianta, muito menos esperar parado. Qual a saída para essa situação complicada?

Experimente tentar colocar todos em filas, alinhados. Entregue um óculos escuro de aros redondos para cada um deles. Sirva um chá verde com maracujá e coloque um filme cult da década de 80 para apreciação dos mesmos.

Estranho? Muito Mas foi exatamente isso que o Hellsongs conseguiu fazer nesse divertido album. Quer ver…

Para o Hellsongs, isso…

Tranquilamente, vira isso…

Pra quem não está entendendo absolutamente nada, o Hellsongs é uma banda sueca que se dedica a produzir versões de clássicos do Heavy Metal, tais como “Run to the Hills” ou “Paranoid”. “Versões de clássicos de metal…to cansado de ver isso”, diria o leitor, apressadamente claro.

Por que as versões do Hellsongs transformam a caótica mistura de guitarras base e solo em singelas baladas. Isso mesmo. Imagine Slayer soando como Bob Dylan e você terá uma pequena idéia do que esperar desse som.

Sim, eles estão tocando Maiden (!!!)

Mas Bonacho, é ruim???

Nou beibe, nou. Se você não for um daqueles headbangers tiozinho com camiseta do Venom, pode ser que até se divirta com a versão esperançosamente singela de “We’re not gona take it”, a festiva “Simphony of Destruction”, lembrando uma versão calminha de “Simpathy for the Devil” e para mim, a melhor versão: uma quase indiana “Thunderstruck”, com direito a cítara, piano e mantras ao fundo,  que caminha em um crescente até virar uma farra bluesística.

Se você não tiver nada contra ver suas músicas tocadas em uma velocidade muito abaixo do convencional, com vocais de uma linda moça da Suécia, sussurrando o que antes eram berros incomprensiveis, um piano malandrinho e um violão bem tocado…tente um download.

Lucas Bonachovski, calminho, ouvindo AC/DC…sim isso é possível. E que engraçado aquele clipe original de “Breaking the Law”…deve ser divertido tocar com seus amigos e trocentos instrumentos em um carro conversível…e onde será que estava a bateria…mistérios do metal!!!!