Archive for the ‘Cool Things da Semana’ Category

Cool Things dessa Semana (01 a 07 de Junho)

Por Lucas Bonachovski, com vontade de acelerar o carro ao máximo e cair em um precípicio, ao som de Queens of the Stone Age
Ao som de: Go with the Flow_Songs for the Deaf_Queens of the Stone Age

Sessão nova estreando hoje, mostrando o que de melhor rolou esses últimos dias. Quadrinhos, livros, novas bandas, e o que mais caiu na minha mão e que tive tempo de aproveitar (o tempo é tão escasso, oh god). Pra começar, um clássico de John Constantine pelas mãos do incrível Garth Ennis; Adrenalina 2: High Voltage, a continuação de um dos mais insanos filmes dos últimos tempos; e a descoberta de Death, uma das melhores bandas de proto-punk de todos os tempos. Então vamos lá:

Jonh Constantine – Hellblazer: Hábitos Perigosos

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Se John Constantine não for o personagem de quadrinhos mais cool de todos os tempos, sou uma vaca voadora marciana. Criado em meados dos anos 80, pelo grande Alan Moore, Constantine se firmou como um ícone do selo Vertigo, de quadrinhos adultos, da DC comics.

Sagaz, inteligente, sacana, malandro.Esses são alguns dos adjetivos que servem para se ter um pequeno vislumbre desse grande figura. E em Hábitos Perigosos, John mostra todo seu jogo de cintura em relação a assuntos místicos para sair da maior enrascada de toda sua vida. Como místico trambiqueiro, Constantine já driblou demônios, magos, skinheads malucos e toda sorte de inimigos estranhos. Mas agora, seu maior inimigo é algo muito, muito próximo (pra ser sincero, bem no bolso se seu puído sobretudo bege). Após fumar 30 cigarros Silk Cut por dia durante quase toda a vida, Constantine se depara com um câncer terminal no pulmão. Após tentar várias possibilidades, e nesse meio tempo conseguir tretar com um dos principais lideres das legiões do Inferno, John Constantine resolve apelar para seu plano mais audacioso, e mais arriscado. E, sobrevivendo, sua vida nunca mais seria tranqüila como ele gostaria que fosse.

 Garth Ennis, o maluco por trás das doentes ‘Preacher’, ‘The Boys’ e uma das melhores fases de Justiceiro, na Marvel, assumiu a batuta dos roteiros de Hellblazer, com uma bomba em sua mão: o que fazer com um personagem tão foda que fosse chocante o suficiente. Sejamos francos: Constantine não era uma história de super heróis com a cueca por cima da calça, era uma história de pessoas comuns se relacionando com o sobrenatural. Mas, além disso, era a história de pessoas comuns, mostrando como o que escondemos no mais sujo dos recantos de nossa mente pode ser bizarro. E as possibilidades eram infinitas. Eis que o maluco Ennis resolve que seria uma boa matar o nosso personagem sacana preferido.

 E não é que deu certo. Garth Ennis consegue transformar bizarrice em poesia de uma maneira singular. E nesse processo, escreveu uma das histórias mais icônicas de todos os tempos. Sensibilidade, violência, cerveja feita de água benta, amizade, operações infernais e o que mais de estranho e chocante podia acontecer com Constantine, Ennis conseguiu fazer. E o final não poderia ser mais surpreendente.

Coisas que você não deve mostrar pro diabo...ou deve???

Coisas que você não deve mostrar pro diabo...ou deve???

Essa edição de luxo da editora Pixel saiu em meados de 2008, e têm prefácio escrito pelo próprio Ennis, além da colaboração de vários conhecedores e fãs do mago mais sacana de todos os tempos. Vale a pena pelo ótimo cuidado gráfico (a ilustração da capa é sublime, desenhado por Glen Fabry, companheiro de Ennis das épocas de Preacher) e para mostrar pro seu pai que quadrinhos também é sinônimo de leitura seria, e mais importante, divertida.

PS: Habitos Perigosos foi an história que influenciou o roteiro da fraca adaptação de HellBlazer nos cinemas (ainda preferia o Sean Penn como Constantine…seria perfeito) 

Adrenalina 2: Alta Voltagem

Crank-2-poster

Tá, não me orgulho nem um pouco do que fiz e peço desculpas desde já. Adrenalina 2 ainda não saiu oficialmente no Brasil, e passando por uma banca dos famigerados piratas, me deparei com essa insólita surpresa. E se você por um acaso assistiu o primeiro filme da série, vai entender o por que da minha agonia em assistir essa continuação.

Adrenalina conta à história de Chev Chelios (Jason Statham, o novo queridinho dos filmes de ação Hollywoodanos), um assassino da máfia mexicana (!) que por motivos de vingança, foi inoculado com um veneno que inibe seus receptores de adrenalina. Ou seja: caiu a taxa de adrenalina em seu corpo, Chelios bate as botas. E segue-se então uma perseguição implacável de vingança, envolvendo a máfia chinesa, sua namorada, Eve (Amy Smart, de Efeito Borboleta), e a mais bizarras loucuras que alguém pode fazer para o coração continuar batendo, o que inclui sexo ao vivo em pleno bairro oriental de Los Angeles, um injeção de efedrina direto no coração, um choque de desfibrilador, e por ai vai.

Quais as chances de isso dar certo?

Quais as chances de isso dar certo?

 Em Adrenalina 2, Chelios e ressuscitado após cair de um helicóptero (!!), para a um fim ainda mais bizarro: seu coração é retirado para servir a um chefe matusalém da máfia chinesa que estava morrendo. E no lugar de seu coração, colocam um aparelho que funciona a base de eletricidade, utilizado em transplantes, que substitui momentaneamente as funções do coração. E aqui recomeça a correria característica do primeiro filme. Porém, nesse filme, os diretores Mark Neveldine e Brian Taylor resolveram surtar ainda mais, extrapolando as possibilidades de sobrevivência de Chelios: ele literalmente se esfrega em uma senhora (afinal, fricção também gera carga elétrica…), faz sexo com Eve em pleno hipódromo e encosta em fios de alta tensão. Além disso, o filme mostra cenas hilárias em que Chelios, ou por falta de energia ou por excesso dela, acaba sofrendo com alucinações, como a já clássica cena da luta de gigantes, estilo Godzila, na central de distribuição elétrica da cidade, em que eles destroem tudo tal como em um filme de monstros japonês.

Enfim, a versão que eu assisti, gravada do cinema, não mostra toda a qualidade de som e de imagem que o filme tem de fato. E o filme não supera o original em termos de criatividade. Mas não rola de julgar o filme como apenas uma seqüência caça-níquel, afinal, Chev Chelios já entrou no rol de personagens bizarros e clássicos da nossa década, e os dois ‘Adrenalina’ lançados até agora serão daqui a uns anos, clássicos dos filmes de ação sem pé nem cabeça. Só espere o original, please.

PS: Adrenalina 2 foi um dos ultimos filmes no qual podemos ver a participação de David Carradine, que morreu essa semana, interpretando o chefe da máfia Poon Dong…hilário mesmo.

Death_…For The whole World to See

DC387 COVER

 Nunca um nome de album foi tão propício para um album. Realmente, ‘Para todo o mundo ver’ cai bem para essa banda fantástica. O Death, que não é a banda de death metal, tem uma história no mínimo engraçada: formada pelos Hacney, 3 irmãos de Detroit que ouviram mais do que deveriam do som negro e de proto punk que rolava nos Estados Unidos em meados da década de 70, começaram a compor quando o mais velho tinha uns 19 anos apenas. Produziram ótimas canções que misturavam influencias de MC5, Jimi Hendrix e o melhor do soul e do funk americano daquela época.

Hackney Brothers

Hackney Brothers

O problema é que, por uma questão burocrática, o Death não lançou as sete músicas que haviam gravado por uma grande gravadora. O que aconteceu: quando o produtor viu o nome da banda, achou que não seria comercialmente viável lançar uma banda com o nome de ‘Morte’, e por isso impôs que mudassem o nome. Só que os irmãos Hackney não aceitaram, romperam com a gravadora, e deixaram sua demo tape arquivada em um porão sujo por anos. Até que em 2009, essa fita foi encontrada e finalmente pode chegar aos nossos ouvidos.

Contendo clássicos do proto punk, como o mezzo soul/mezzo punk ‘let the world turn’, a stoogestica ‘Freakin Out’ e a linda ‘Politicians in my eyes’ (nunca uma música de protesto foi tão legal e viciante de se ouvir), o Death já se estabeleceu como um dos melhores álbuns desse momento musical americano, e com certeza, já está minha lista de melhores de ano.

Pra terminar, o hit dançante da semana vai para a banda Mando Diao, com ‘Dance With Somebody’. Veja o gordinho do clipe e tente se segurar para não dançar enquanto ouve esse som. A música já rivaliza com ‘Ulysses’, do Franz Ferdinand, como ‘músicas pra dançar loucamente no quarto’ desse ano!