Archive for the ‘Papiros’ Category

Meus dois melhores auto-presentes de Natal_parte 2

Ao som de: Sweet Leaf_Master of Reality_Black Sabbath (1971)

(Pronto Ryunoken, tá ai o segundo presente…rs)

Tá, eu admito. Quando eu era jovem, a muito tempo atrás em uma galáxia não tão distante…eu já fui um tanto headbanger. Não daqueles extremistas (leia aficcionado por black metal). Eu até era bem sociável. Mas mesmo assim, já andei com camisetas de bandas, usei all star sem lavar durante meses e já devo ter gritado “ero, ero, ero pau nó %$ do pagodeiro”.

Bom, o tempo passa (amém) e os comportamentos mudam, você amadurece e vê que existe vida além do metal. Mas o que ficou desse tempo é o bom gosto pelas guitarras distorcidas e rápidas do heavy metal.

Não dá pra negar que o Black Sabbath teve um efeito arrebatador na minha visão sobre a música. Em uma época que o meu acesso ao rock em casa era o Legião Urbana (tá, vergonha alheia pra mim agora), o Creedence e o Dire Straits e muito do grunge nos anos 90, descobrir o Sabbath, o Led Zeppelin e outras bandas precursoras dos anos 60 foi como achar um baú do tesouro. Mas logo viria o Maiden, com o saudoso “Best of the Beast” e minha vida nunca mais foi a mesma.

Isso tudo nos leva ao meu SEGUNDO auto-presente de Natal. Esse ai:

Título: Heavy Metal – A História Completa
Título Original: Sound of the beast – The Complete headbanging history of Heavy Metal
Autor: Ian Christe
Tradução: Milena Durante e Augusto Zantoz
Editora: ARX (R$49,90)

Ian Christe, o autor desse compêndio sobre a história do metal, escreve para várias revistas influentes da Europa e dos EUA. Gabarito o cara tem. A grande sacada de seu livro é que ele é um apaixonado por heavy metal. Isso transparece em seu texto constantemente, o que torna a leitura ainda mais interessante.

Mais além, o livro mostra como o metal surgiu como meio de ocupar uma lacuna musical e comportamental nos anos 70, em uma cena cultural dominada pela disco music e o punk. O movimento hippie não mais conseguia exprimir a insatisfação da juventude e o heavy metal chutou o balde dos ideais “flower power” de paz e amor para dar vazão a raiva e a insatisfação de um período marcado pelo Vietnã e pela Guerra Fria.

Tendo como marco inicial o surgimento e desenvolvimento do Black Sabbath, o metal viria a se transformar e a se desdobrar em várias vertentes distintas. Na Inglaterra, o New Wave of Britsh Heavy Metal, que carregava em sua bagagem bandas como Motörhead, Iron Maiden e Judas Priest viria a influenciar os jovens americanos de maneira intensa, levando ao surgimento do trash metal do Metallica, Slayer, Anthrax. E o livro ainda passa pelo surgimento do Black Metal e o “inner circle” (dos incendiários de igrejas cristãs, lembra?) até a clássica rixa entre Burzum e Mayhen (todo fã de metal tinha que saber que o bicho do Burzum matou o bicho do Mayhem, óbvio – nas palavras do meu bom amigo Marmota).

Enfim, da ascensão ao ostracismo até o retorno triunfante, Heay Metal – A história completa é um documento importante que ajuda a entender como definitivamente o heavy metal se instalou em nossas vidas, quer você goste ou não.

Vale a pena gastar um dinheirinho ai nesse natal. Larga de ser pão-duro e compre um livro (ou uma hq boa também!)

Lucas Bonachovski, que agora está pensando seriamente em deixar o cabelo crescer e tocar baixo em uma banda…não, mentira, não conseguiria uma semana como cabeludo…eco…

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Meus dois melhores auto-presentes de Natal_parte 1

Ao som de: I Want You To Know_Farm_Dinossaur Jr. (2009)

Como é tradicional no Natal, eu odeio (quase) todos os presentes que me dão. Calma mundo, não se culpe, sério. Não é culpa de ninguem eu ser tão chato e seletivo com o que visto/leio/ouço/uso como forma de entrar em outros estados de percepção.

Por isso, eu mesmo costumo comprar meus presentes de Natal, pra evitar o stresse e o sorriso amarelo ao dizer “nossa, era o que eu queria” ao receber uma caixa de meias ou de cuecas, ou um cd da Maria Gadú (Ximbalaiê é o caralho, só pra constar).

Então, sem mais delongas, meus dois melhores presentes desse ano foram:

Vida – a biografia de Keith Richards (editora Globo)

Tá, vai dizer que você também não quer saber mais sobre a vida de um cara que misturou as cinzas do próprio pai em uma carreira de cocaína?

Keith Richards é uma lenda, fato. O sujeito é uma das pedras fundamentais dos Stones (juro, a infâmia de pedra e “Stones” só me surgiu agora), é um dos guitarristas com mais personalidade destes tempos musicalmente infame que vivemos…e sem sombra de dúvidas já ingeriu mais drogas do que qualquer ser humano.

No entanto, descobrir aos poucos o que fez Richards se tornar tão genial é uma viagem a parte. De jovem que não se encaixava no que era imposto em uma rígida sociedade londrina pós Segunda Guerra a rock star desorientado, ocorreram muitas idas e vindas. O livro (até onde li…tá, to escrevendo mesmo sem ter acabado…) mostra um sujeito obcecado por absorver as influências e tocar como os maiores blues man norte americanos, como Muddy Waters, Bo didley e B.B King, mas que também começa a entender que o rock’n roll já estava se tornando um fenômeno cultural que mudaria o mundo. O início dos Stones, com Mick Jagger e Brian Jones em uma casa sem aquecedor em pleno inverno londrino. Charlie Watts entrando pra banda, o início do sucesso dos Stones na Inglaterra e posteriormente nos EUA/mundo…e o primeiro baseado.

Enfim, é incrível ver como o talento/esforço levaram Keith Richards ao sucesso (que nem era seu objetivo principal ao tocar com os Stones). E, mesmo sendo extremanete piegas, vale ressaltar que Richards é um exemplo de que paixão pelo que se faz pode te levar a alcançar seus objetivos (no caso dele, SÓ tocar com Muddy Waters…).

Presentão…mesmo…e agora, vou ler mais um pouquinho…

Lucas Bonachovski, querendo agora se tornar um astro do rock tocando xilofone…sim, eu posso!

Meu dia do Orgulho Nerd_parte 05_Alta Fidelidade

Por: Lucas Bonachovski, o leitor compulsivo errante

Ao som de: Keep on Knocking_Death_…For The Whole World To See

 alta fidelidade

Tá, eu sei que esse dia do orgulho nerd está sendo mais longo que toda a saga do anel (dá um google ai, se você não sabe o que é isso). Mas acreditem, é mesmo por uma boa causa. Simplesmente não queria falar sobre meu melhor presente de aniversário dado por mim mesmo, sem antes ter conhecimento do que estou falando. E acreditem, ler o ‘Alta Fidelidade’ até o fim, durante horas a fio no dia meu aniversário de fato (31 de maio, para os desavisados… ainda aguardo os parabéns) foi uma experiência transcendental.

Primeiro, por que queria a muito tempo achar esse livro (sério, encontrá-lo foi quase como escavar um sebo de quadrinhos e só ver Tex por horas a fio, e no fim de uma pilha de revistas, encontrar um Batman: o Cavaleiro das Trevas ou a primeira edição de Watchmen). Segundo, por que o livro conta em detalhes à história da minha vida amorosa inteira, só que passada na década de 90.

Rob Flemig, personagem principal do livro, que também poderia se chamar Lucas Bonachovski, é dono de uma loja quase falida de discos, em Londres. Tem como hobby, ou talvez religião, ouvir, conhecer e criticar tudo que se relaciona à música seja ela de qualidade ou não. Além disso, Fleming tem uma mania curiosa: define sua vida praticamente toda a partir de lista de cinco mais: as cinco melhores canções, os cinco melhores filmes e livros, e coisas mais estranhas.

No entanto, sua lista mais importante é a das cinco namoradas que mais o fizeram sofrer. Isso tudo devido a um recém termino de namoro, com Laura, alguém que Rob achava que amava acima de outras pessoas, mas que no fim, mostrou-se mais uma como as outras…ou não?

É a partir do término do seu namoro que Rob passa a repensar todos os seus 35 anos de vida, revendo princípios, escolhas e posturas, tentando entender o que deu errado nesse tempo todo. Rob está quase falido, sem vida social, sem amigos (a não ser Barry e Dick, dois de seus funcionários, tão ou mais viciados em músicas e excêntricos quanto ele). Sua família não tem fé na idéia de que Rob encontrará uma carreira de sucesso, na perspectiva tradicional que trata sucesso igual a dinheiro e não a satisfação pessoal, necessariamente. E sua namorada acaba de terminar com ele, pra ficar com o vizinho do apartamento de cima, um verdadeiro babaca.

Mas no decorrer da história, a medida em que conhecemos mais Rob, vemos que ele é um sujeito tão normal quanto você, ou o jornaleiro da esquina, o caixa do banco…e principalmente, a mim. Que erra, é orgulhoso, não dá o braço a torcer, mas que sofre, chora e se arrepende das coisas que fez.

E é nesse momento que o livro se torna verdadeiramente assustador, no bom sentido claro. Quando vi que a normalidade de Rob, sua humanidade e personalidade, se parecem totalmente com as pessoas a minha volta. Igual ao meu amigo, também cresci cercado de cultura pop por todos os lados: música, cinema, literatura, quadrinhos aos borbotões. Enfim, minha vida é um apanhado de referencias pop e não consigo em momento nenhum me desgarrar disso, como se isso fosse minha ancora com esse mundo. E tal como Rob, por algum motivo, acredito que minha geração é formada por homens que chegaram aos 14 anos e pararam de amadurecer por ali mesmo, enquanto as mulheres continuaram crescendo e se tornando cada vez mais interessantes e charmosas. Somos uma geração que não consegue tomar decisões e que não consegue assumir responsabilidades com tanta facilidade. Enfim, creio que somos uma geração extremista de “carpe diem”, clamando pelo próximo grande blockbuster ou o novo filme de Wood Allen, o novo single do Franz Ferdinand. Que espera ansioso o desfecho de Lost ou de Dexter e que não vê a hora de ler o Scott Pilgrim traduzido em português. Mas que ao mesmo tempo, não consegue decidir sobre qual carreira escolher pro futuro, ou se devemos ou não estar mesmo com aquela pessoa que nos compreende e que nos acolhe, mesmo conhecendo nossos defeitos, só por que nos recusamos a acreditar que a cultura monogâmica seja mesmo a melhor referencia para nossas vidas.

E no fim de tudo, só queremos alguém que goste dos mesmos discos e filmes que nós, como se isso fosse o mais importante de tudo. Aprendi que samba e stoner rock podem conviver tranqüilamente um com o outro, mas percebi isso tarde demais. Então, tal como Rob, acredito que é hora de tocarmos o barco.

Enfim, após divagar tanto sobre a vida, a morte e filosofia, vamos ao que interessa: o livro é muito bom, um ótimo retrato pop de um homem moderno. Vale cada minuto de leitura pelo humor, sensibilidade e referências musicais de um dos melhores autores da década de 90 e dos anos 00.

PS: “Alta Fidelidade foi adaptado ao cinema  em 2000, com John Cusack no papel de Rob, e um fenomenal Jack Black no papel de Barry. O filme modifica o roteiro original, perdendo parte de seu charme, mas ainda assim continua a ser uma ótima adaptação de um livro ao cinema. Vale muito a pena assistir. Fiquem com um gostinho ai, assistindo ao trailer:

Segue também minha humilde lista das cinco melhores adaptações de livros para o cinema:

 

1)      O Poderoso Chefão, de Mario Puzzo_o livro definitivo sobre a Máfia, e como se relacionar com sua família

2)      O Clube da Luta, de Chuck Palahniuk_um dos livros essenciais pra se pensar a sociedade em que vivemos e para aprender a surtar com estilo

3)      O Senhor dos Anéis, de J.R.R Tolkien_simplesmente o livro que ensinou ao mundo o que era aventura fantástica, bíblia de qualquer rpgista

4)      Trainspotting, de Irvine Welsh, o livro essencial sobre drogas, e suas conseqüências…boas e ruins.

5)      Neuromancer, de Willian Gibson (ta, não foi adaptado de fato, mas serviu como uma das bases para o roteiro de Matrix , considerado um dos grandes filmes de ficção científica da nossa geração)_ o livro que me mostrou que o futuro será cinza, perigoso…e sexy…ah Molly, ainda tenho sonhos com vc!