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Sobre Elffus, VMB e o “novo rock” brasileiro…

Ao som de:  Conflitos Existenciais_Cachorro Grande_Todos os Tempos (2007)

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Banda Cine...a "salvação" do rock nacional...e pensar que uma época dessas tivemos Legião Urbana e Mutantes...

A um tempinho atrás, recebi um coment, em um dos posts aqui do blog,  que me deixou bastante feliz. Foi uma crítica ao meu texto sobre o Porão do Rock, mas especificamente sobre a crítica ao show do Elffus, banda aqui do DF.

O trecho comentado em questão foi esse aqui:

“Já o Elffus, banda de Brasília, nunca me empolgou mesmo, logo nem dei muita atenção ao barulho que faziam, ainda mais cantando em português agora (seria uma tentativa de chegar aos ouvidos pop dos brasilienses?”

O Rafael, fã da banda, defendeu o som dos caras de maneira muito inteligente e respeitosa…e pra minha surpresa, o Alberto, vocalista do Elffus, também apareceu por lá, pra comentar meu texto. Fiquei feliz por ambas as respostas devido o respeito e compreensão de ambos.

Continuo aqui defendendo minha idéia sobre o Elffus, mas gostaria de complementá-lo, principalmente após assistir, a uns dias atrás, o Video Music Brasil, ou VMB, uma das maiores (mas não melhores, com certeza) premiações de música aqui nesse Brasilsão velho de Deusi.

O VMB esse ano premiou uma série de novas categorias interessantes, mostrando que o novo som produzido no Brasil não se resume só a bandas de emotional hardcore pra adolescentes que confundem hormônios em excesso com depressão…pensando bem, repensemos este ultimo comentário.

Os prêmios menos divulgados foram os para as novas categorias e mesmo considerando que o novo tem aparecido com cada vez mais força e frequencia, a cena musical nacional ainda está presa a alguns dogmas contemporâneos que não consigo compreender.

Vejamos alguns exemplos de premiados: artista do ano…Fresno (!); hit do ano, NX Zero, com “Cartas pra Você” (!!); revelação do ano, Banda Cine (!!!); e por fim, e um dos que eu mais me diverti, dando risada…banda de rock, FORFUN (!!!!!!!!!!!!!!!!!).

A partir dessas informações, queria propor uma reflexão: uáta fuqui is dis??? Ou as coisas estão fora dos eixos, ou qual a resposta para o Forfun ganhar como melhor banda de rock…

Os paradigmas musicais no Brasil, e quiçá, no mundo, seguem uma tendencia de mercado que me causa engulhos. Graças a bandas estrangeiras como My Chemical Romance ou Fallout Boy’s (que nem são de todo ruins, visto o cover de Desolation Row, do MCR, para a trilha sonora de Watchmen…), temos produtos de linha de montagem, como NX Zero, banda Cine ou Fresno. Nada contra a sonoridade das bandas, não é isso. O que me incomoda é o fato de que, simplesmente, essas bandas NÃO me convencem, não passam uma imagem autêntica.

Ao que parece, tais bandas passaram pelo crivo do industrial da música Rick Bonadio…rostinhos bonitos, cabelos milimetricamente cortados para parecerem bagunçados…roupas escolhidas por estilitas para parecerem rock’n roll o suficiente e o pior de tudo: músicas pré programadas para serem acessíveis a um público que está pré programado a aceitar esse som. E o ciclo está completo. Lei de mercado: se tem quem consuma, vamos produzir em massa…

Veja o caso de Pitty, que alguns consideram meu alvo preferido de zoação. Até quando tocava no Incoma, um de seus primeiros trabalhos, a baiana era mais convincente. Hoje em dia, com uma ótima banda de apoio, Pitty parece estar presa a uma poça de lama mercadológica na qual ela aprendeu a conviver, mesmo que ora ou outra, ela tenha um arroubo de criatividade.

Nesse sentido, mesmo não compartilhando do mesmo sentimento pelo Elffus que o Rafael tem, admito com todas as letras que a banda do DF tem algo que ainda é admirável: personalidade. Com suas referências admitidas claramente a vista, o Elffus absorveu o que pôde e produz um som novo e diferente, respeitando sua origem.

Mas a pergunta é: você já ouviu Ellfus? Possivelmente não.

E quantas vezes você, mesmo sem querer, foi obrigado a ouvir “entre razões e emoções a sáida é fazer valer a pena” (ou, sei lá, como se chama essa música mesmo???) Do NX Zero.

E Black Drawing Chalks, de Goiânia, quantos já ouviram. Ou Garotas Suecas, do Rio de Janeiro?E a mega fodaça Móveis Coloniais de Acajú???

O ponto onde quero chegar é: as ótimas bandas de rock que temos atualmente no Brasil tem o espaço merecido, no meio de péssimas bandas pré construídas para fazer sucesso?

E qual seria a alternativa para divulgação dessas bandas, além da famigerada MTV Brasil.

Hoje a internet faz com velocidade milhares de vezes maior o que o fanzine underground fazia nas décadas de 80 e 90: divulgação rápida e barata. Mas será suficiente? Até quando os produtores de shows só apostaram nos cavalos vencedores, sem perceber que existem milhares de pessoas apostando também nos azarões?

Enfim, fica a coceira na sola do pé ai, pra pensarmo um pouco nessas coisas. Enquanto isso, fica ai com um pouco de Tokio Hotel,  a mais nova presepada emotional hardcore dos Us and A. E salve o Borat, mostrando a merda a vista nos Estados Unidos.

(prestem atenção aos cabelinhos…o melhor…até os dreads do muleque de boné parecem que são colados…ou gódi…)

Lucas Bonachovski, tentando não parecer um chato…mas quase sempre sem conseguir…

Porão do Rock 2009_sábado: um breve balanço…

Ao som de: Lunático_Cachorro Grande_Cachorro Grande (2001)

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Mais um ano de Porão, mais um ano de cansaço, tênis sujo e ônibus cheio na volta. Mas mesmo assim, continuamos firmes por lá, sacando o que de melhor rolou nas apresentações.

Esse ano, em local diferente e com estrutura modificada, o Porão do Rock ocorreu na Esplanada dos Ministérios e rolou na faixa, de grátis pro populacho. Se alguem estava preocupado com a relação entre entrada gratúita e baixaria e criminalidade, podia ficar descansado: esse porão foi um dos mais tranquilos que eu já tive o prazer de ir. A única notícia que eu vi sobre algum incidente foi a de um maluco breacão que se recusou a entregar uma garrafa de birita para o policial que o abordou. Entre perder seu precioso liquido alcoolico e quebrar a garrafa na cabeça do ‘seu policia’, imagina o que ele escolheu?É, “porcos imundos”, foi o que ele deve ter pensado…

Mas agora, vamos ao que interessa. Chegamos um pouco atrasados, eu e o camarada João Mário, e tivemos alguns entraves relacionados a não poder entrar na área vip com as Stella Artois que haviamos levado na famosa bolsa térmica do Gato Félix…mas isso foi resolvido com um pouco de jogo de cintura cênico da nossa parte (até por que os roadies do Orgânica não podiam deixar a banda sem sua cerveja né???Sim…sagacidade é meu segundo nome, perto de patético…rsrsrsrs).

Deu tempo de ouvir um pouco do “El mato a un policia motorizado”…indie, e chato. Não me empolgou muito não, mas teve gente blasse o suficiente pra se amarrar e muito. E sim, não estava no meu dia mais indie pra me animar com o som da banda argentina. Não foi de todo ruim, quem sabe outra hora.

A próxima banda a subir no Palco foi o o Orgânica, de São Paulo. Mina no vocal, vestindo uma roupinha provocante. Possivelmente um cover blefe de Pitty pra adolescentes que confundem hormonios com depressão, eu pensei. Estava enganado…a banda fez uma boa apresentação, mesmo com problemas técnicos. A vocalista gatinha ( e tbm baiana, tal como sua conterrânea blefe, dona Pitty) consegue empolgar o público, que naquele momento, estava esperando qualquer coisa pra se animar. Enfim, banda com grande apelo comercial, logo estará na MTV e no MP3 das crianças, com suas músicas revoltadinhas…Ponto para o oportunismo da banda: tocaram um cover de Geração Coca-Cola, o que causou uma comoção coletiva por parte da juventude ‘legionária’ do Distritinho Federal (não me inclua nesse grupo, por favor…)

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Próxima:  Cachorro Grande. Pensei em fazer uma piadinha clichê do tipo “é, os caras realmente se tornaram uma das bandas ‘Cachorro Grande’ do cenário musical nacional”, mas como iria me arrepender, desisti dessa besteira. Sejamos francos, diretos e escrotos como o som dos caras: a apresentação do Cachorro Grande foi do caralho. É fantástica a presença fanfarrônica de palco que Beto Bruno imprime em suas apresentações. E o restante da banda não fica devendo, com aquela pegada sessentona que imprime um sorrisão besta na cara de qualquer sujeito na platéia (inclusive, e ainda mais, nos “highers” que nem eu…), Mesmo com problemas técnicos, a banda fez o melhor mais do mesmo que eu já vi em uma apresentação: tocou, xingou a produção, tocou mais, se divertiu, divertiu a platéia e terminou pagando um bundão pro populacho. Tão Rock’n Roll esses meninos…rs.

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Aproveitei o momento “pós Cachorro Grande” pra sair um pouco da VIP e ver os amigos que não tiveram a mesma sorte que eu. E me arrependi, minutos depois. Não pelos amigos, claro. Faltou iluminação, pra tentar ver alguem perdido no meio daquele breu. Depois de mais desencontros que encontros, e achados os amigos, assisti a um pouco do ‘Ludov’, mas não consegui me concentrar em duas coisas ao mesmo tempo. Já o Elffus, banda de Brasília, nunca me empolgou mesmo, logo nem dei muita atenção ao barulho que faziam, ainda mais cantando em português agora (seria uma tentativa de chegar aos ouvidos pop dos brasilienses?).

No entanto as duas próximas bandas justificariam toda a terra vermelha na cara e ter que deixar meus dois sanduiches de mortadela bolonha com cheddar na entrada da áera VIP. Um combo com Black Drawing Chalks e Eagles of Death Metal…não é todo dia que temos essa oportunidade.

O Black Drawing Chalks (que a partir de agora chamaremos de BDC, para fins de economia de teclado) fez o que eu já esperava dos caras: uma apresentação fodástica. Os caras que fazem uma mistura de stoner, hard rock e um tanto de punk já mostraram em Brasília que sabem o que estão fazendo no palco, e, ao vivo, os caras soam ainda mais rockers. Tirando o fato da banda ainda ser hiper gente boa (tive a chance de trocar idéia com o baterista e com o guitarrista, dando rolê na vip). Enfim, depois do Wolfmother, em termos rockers, o BDC tem mesmo muito futuro, e to acompanhando com certa alegria bocó de fanzinho feliz cada apresentação ou trabalho novo dos caras (sim, eu tenho mesmo uma camiseta da banda…bocó, eu falei).

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Depois de um encontro muito fortúito, mas muito breve (pena…), era a hora da verdade: encarar a apresentação tão alardeada do Eagles of Death Metal. Não me preocupava com a apresentação dos caras em si, já sacava o som hiper fanfarrão de Jesse Hugues e Josh Homme. Mas imaginava toda uma penca de galera que não sabia o que tava acontecendo ali (tal como o Bellrays em 2007, se eu não me engano…puta banda boa, mas sem animação da galera).

Só que Jesse Hugues (infelizmente, sem a presença de Josh Homme, que devia estar tomando uma com Dave Grhol e Joh Paul Jones pra coversar sobre o Them Crooked Vultures) conseguiu algo muito legal de se ver: botou o populacho pra dançar, headbangear, marcar a música com pé…enfim, colocou o povo pra cima mesmo. Mandando músicas conhecidas do primeiro e do segundo album, como “Only Want You”, “Cherry Cola” e a divertida “Wanabee in LA”, o show teve como ponto alto a macarrônica “Boys Bad News”, com direito a coro da galera e eu derrubando a ultima lata de Antarctica do pobre JM, que sofreu com minha empolgação musical.

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Enfim, mesmo desconhecida, a banda conseguiu calar as vaias da galera, que reclamava do atraso da mesmapara entrar em palco, e ainda mostrou que rock combina com cerveja, minas tatuadas, mais cerveja, guitarras bem altas e muita risada. Desculpe-me movimento emotional hardcore…nada de lencinhos umidecidos pra enxugar essas lágrimas ai.

Não sei bem o que aconteceu, mas creio que Mindflow e Dynahead foram limadas do sábado, por que não ouvi nada desse povo. Tocou ainda uma tal de Mugo, que tal como o nome, não fez nada bonito, com uma barulheira chata e ensurdecedora. E eu, que achava que o Porão do Rock havia acabado depois do Eagles of Death Metal, tomei um soco na cara quando o roadie da bateria do Sepultura começou a machucar o pobre bumbo. Me prontifiquei a ouvir na hora: aquilo seria interessante.

E aqui pra nós, Sepultura ainda é Sepultura. Tá, não é a mesma coisa sem os Cavallera, diriam os puristas. Mas hits como Arise, War for Territory, Roots e por ai vai ainda empolgam o povo que responde cantando e se estapeando em slans. Pra quem não é familiarizado com todo o trabalho do Sepultura o show pode parecer um pouco estranho (como sempre é pra mim). Mas isso não é mesmo sinônimo de falta de qualidade. Andreas Kisser ainda é um legítimo Guitar Hero nacional e a voz cavernosa de Derrick Greene ainda me assusta ( e me faz rir quando ele fala em português embromation).

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Pra acabar, Angra: tá, não vou descascar com os caras. Já ouvi muito Angra na minha vida, e por incrível que pareça, lembrei a maior parte da letra do medley de Carry On + Nova Era. E sim, me diverti quando os caras tocaram Angels Cry. Mas como dependente de transporte público, tive que apertar o passo pra pegar o último Gama Leste lotado. E graças aos deuses do Rock, consegui um lugar pra sentar, enquanto ouvia, cada vez mais distante, o Angra e a fantástica Nothing to Say…é, acho que sou um perdido mesmo.

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No fim, um balanço do Porão desse ano, pelo menos do Sábado: a produção, quando não está desviando verbas para fins escusos, tem tato para produzir um festival com ótimas bandas. Shows bem balanceados, bandas muito esperadas, bandas que foram boas surpresas inesperadas. Enfim, continua valendo o esforço de sair de casa e aguentar aquele monte de gente. E esperamos o AC/DC agora…

PS: pros pouquíssimos que devem ter ficado preocupados com meu sanduiche de mortadela bolonha com cheddar, não se preocupem…consegui resgatá-los, intáctos, da mão da gordinha da entrada da área vip.

PS2: Todos os créditos das imagens aos ótimos profissionais que tramparam no sábado, postaram as fotos no site oficial do evento…e não bloqueram a cópia das imagens, por parte dos esquecidos que deixam suas camêras em casa.