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movies, movies, move: E ai, meu irmão, cadê você?

Ao som de: Methamphetamine_Tennessee Pusher_Old Crow Medicine Show

Existem dois recortes temporais que me fascinam: um deles é o Rio de Janeiro em fins do século XIX, ainda antiga capital do Brasil, com seus cortiços lotados, um clima de mudanças políticas cada vez mais intenso e uma malemolência carioca legítima, que não se encontra em qualquer boteco do cruzeiro (piada brasiliense, desculpas aos que não entenderam…)

O outro, são todos os estados caipiras do US and A. Tennessee, Alabama, Kentucky, e todos esses lugares onde, nos filmes, a vida parece passar com muito mais vagareza e tranquilidade que nos lugares comuns.

Agora imagine um filme que tem como pano de fundo um Mississipi abalado pela quebra da bolsa de 1929, onde três malandros recém fugidos de uma fazenda criminal saem em busca de seu tesouro escondido, buscando melhorar a vida tão complicada daquele período.

Essa é a premissa básica de “E ai, meu irmão, cadê você”, filme de 2000, dirigido por Joel Cohen. Básica, por que o filme segue em um rumo fantásticamente inesperado.

A começar pelo roteiro, que é uma adaptação baseada na obra clássica de Homero, “A Odisséia”. De uma maneira bem bizarra, Ulisses, o mítico herói grego que lutou em Tróia ao lado de Aquiles, se transforma em Everett Ulysses McGill, interpretado fodasticamente por George Clooney, um trambiqueiro falastrão, de conversa fácil e viciado em goma para o cabelo. Ao seu lado, o sempre mal-humorado Pete (John Turturro, sempre ótimo) e o inocente Delmar (Tim Nelson Blake). Após a fuga da prisão, os três sujeitos conseguem se enfiar em tudo quanto é tipo diferente de enrascadas para encontrar um dinheiro roubado antes que Ulysses fosse preso.

The Soggy Botom Boys...e a fanfarronice de George Clooney...

Nesse meio tempo, o trio se junta ao guitarrista Tommy, que conheceram em uma encruzilhada, após ter vendido sua alma ao Diabo para aprender a tocar violão (uma das mais famosas lendas do universo do Blues americano). E nesse encontro, sem imaginar, os quatro produzem sem querer o maior sucesso musical daquele período: Man in a Constant Sorrow.

Já aproveitando o gancho, “E ai, meu irmão, cadê você” possui uma das melhores trilhas sonoras que eu já tive o prazer de ouvir. Casando de maneira fantástica com o contexto histórico do filme, as músicas vão dos clássicos do blues e do country e folk americanos, interpretados por músicos fodaços da cena musical americana, tal como Alisson Krauss (que recentemente gravou um album cheio de prêmios com Robert Plant).

Os três Soggy Botton Boys (ou traseiros encharcados…como ficou conhecida a banda de Ulysses) seguem a vida por uma América pobre, aproveitadora e politicamente suja, mas ao mesmo tempo, com uma cultura e valores interessantíssimos.

E o fator comédia não deixa a desejar: George Clooney, pra mim, é um dos grandes atores da minha geração. Mesmo com aquele jeito fanfarrão de sempre, ele fica engraçadíssimo quando assume peronagens caricatos como Ulysses. E nem preciso falar de John Turturro. O cara é sempre magnífico em suas interpretações de personagens cômicos. A cena em que os três encontram uma reunião da Klu Klux Klan, é impagável.

No fim, terminei de assistir o filme com uma certeza: definitivamente, esta já está no meu top dez de melhores comédias. Com um humor rebuscado, ora sútil e ora “trespatetamente” escrachado, o filme mostra que novamente música e cinema se completam muito bem.

Fica ai, de bandeija, o Dan Tyminski Band, ou o original Soggy Botom Boys, que interpreta a versão de “Man in a constant sorrow” cantada no filme.

Lucas Bonachovski…é um homem em constante lamento, que já enfrentou difculdades, a vida inteira…

Hellsongs_Hymns In the Key of 666…ou, colocando ordem no caos.

Ao som de: Thunderstruck (AC/DC cover)_Hymns In the Key of 666_Hellsongs

Situação: imagine-se em uma savana africana, aquele calor absurdo. No horizonte, algo preocupante: um estouro de rinocerontes enfurecidos vindo em sua direção. Correr não adianta, muito menos esperar parado. Qual a saída para essa situação complicada?

Experimente tentar colocar todos em filas, alinhados. Entregue um óculos escuro de aros redondos para cada um deles. Sirva um chá verde com maracujá e coloque um filme cult da década de 80 para apreciação dos mesmos.

Estranho? Muito Mas foi exatamente isso que o Hellsongs conseguiu fazer nesse divertido album. Quer ver…

Para o Hellsongs, isso…

Tranquilamente, vira isso…

Pra quem não está entendendo absolutamente nada, o Hellsongs é uma banda sueca que se dedica a produzir versões de clássicos do Heavy Metal, tais como “Run to the Hills” ou “Paranoid”. “Versões de clássicos de metal…to cansado de ver isso”, diria o leitor, apressadamente claro.

Por que as versões do Hellsongs transformam a caótica mistura de guitarras base e solo em singelas baladas. Isso mesmo. Imagine Slayer soando como Bob Dylan e você terá uma pequena idéia do que esperar desse som.

Sim, eles estão tocando Maiden (!!!)

Mas Bonacho, é ruim???

Nou beibe, nou. Se você não for um daqueles headbangers tiozinho com camiseta do Venom, pode ser que até se divirta com a versão esperançosamente singela de “We’re not gona take it”, a festiva “Simphony of Destruction”, lembrando uma versão calminha de “Simpathy for the Devil” e para mim, a melhor versão: uma quase indiana “Thunderstruck”, com direito a cítara, piano e mantras ao fundo,  que caminha em um crescente até virar uma farra bluesística.

Se você não tiver nada contra ver suas músicas tocadas em uma velocidade muito abaixo do convencional, com vocais de uma linda moça da Suécia, sussurrando o que antes eram berros incomprensiveis, um piano malandrinho e um violão bem tocado…tente um download.

Lucas Bonachovski, calminho, ouvindo AC/DC…sim isso é possível. E que engraçado aquele clipe original de “Breaking the Law”…deve ser divertido tocar com seus amigos e trocentos instrumentos em um carro conversível…e onde será que estava a bateria…mistérios do metal!!!!