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Justiceiro: zona de guerra

Ao som de: 0 We Are What You Say_Sufjan Stevens_A Sun Came (2000)

punisher war zone

Uma das maiores sacadas da editora Marvel dos ultimos tempos foi começar a produzir os próprios filmes de seus personagens. Com o boom dos filmes de hérois, a partir dos primeiros X-Men e Homem Aranha (talvez até um pouco antes, com Blade: o Caçador Vampiros), filmes que geram milhões e milhões de doletas para as produtoras, nada melhor do que lucrar com a próprias criações, ao invés da venda de direitos. Bom para Marvel, bom para os fãs espalhados pela galáxia, que não são obrigados a aturar adaptações tão ruins, como Homem Aranha 3, Elektra e a pior de todas…O Demolidor (maldito Ben Afleck, maldito filme, malditos sejam por terem estragado a história de meu personagem preferido)

No entanto, após assumir a cozinha e produzir os próprios filmes, a Marvel nos apareceu com ótimos presentes para os fãs de quadrinhos, como Iron Man (um dos melhores filmes de super heróis já produzidos…e mostrando que Downey Jr. ainda entende da coisa) e O Incrível Hulk (Edward Norton, fantástico como Bruce Banner+Liv Tyler+Tim Roth só poderia dar coisa boa).

E por fim, mas não menos importante, veio esse novo Justiceiro. Antes de mais nada, melhor adiantar: esse filme está longe, longe mesmo da qualidade dos filmes citados acima, em relação ao roteiro, intepretações memoráveis e tudo o mais. Mas nem por isso é um filme ‘inassistível’. Pra começar, qualquer filme que colocasse um sujeito atirando a torto e a direito seria melhor que o filme anterior, de 2004. O novo filme é violento e sujo, mostrando um Frank Castle muito mais próximo ao das melhores fases do anti-herói nos quadrinhos.

Você convidaria esse sujeito para um jantar, se fosse um grande mafioso?

Você convidaria esse sujeito para um jantar, se fosse um grande mafioso?

Zona de Guerra é baseado no arco de histórias de mesmo nome, escrito pelo doentaço (no bom sentido) Garth Ennis. E no filme, é perceptível a influência do conceituado roteirista: o Justiceiro continua com seu senso de honra e justiça apurados, mas não perde a chance de dar uma sacaneada, com um humor razoavelmente negro, caracteristica essa muito bem utilizada pelo malucão do Ennis, nos quadrinhos.

Além disso, finalmente vimos um vião de verdade no filme. Retalho (interpretado por Dominic West, de 300) é um dos mais alucinados vilões de quadrinhos que eu já vi, e ficou muito bem caracterizado no filme (sério, a cena em que o vilão, um mafioso italiano, consegue as cicatrizes que justificam seu codinome, é agoniante…de dar embrulhos em estômagos mais fracos). Outro vilão que faz sua aparição e Loony Bin Jim, irmão de retalho, e um maluco de marca maior, tão violento e sádico quanto o outro da família. Além disso, outros famosos coadjuvantes também fazem suas aparições Microchip (Wayne Knight, de Seinfeld) o quase parceiro de Frank Castle, fornecedor de armas e de outras traquitanas tecnológicas e Detetive Soap (Dash Mihok), originado das HQs escritas por Garth Ennis, perfeito tanto no visual quanto no “jeito abobalhado de ser”.

Pequena família, alto desvio de comportamento

Pequena família, alto desvio de comportamento

Mas faltou falar do mais importante: Frank Castle. Ray Stevenson, que já havia participado do seriado Roma, caiu como uma luva no papel do Justiceiro. O cara é grande, tem cara de mau e ainda conseguiu mandar (quase) bem como ator nos poucous momentos em que a história exigiu uma atuação dramática mais elaborada (a saber, no momentos em que Frank se lembra ou se relaciona com a lembrança de sua família assassinada). Ele chora?Sim, mas logo depois descarega um pente de uma semi-automática nas fuças de algum meliante que esteja em sua frente.

E no fim das contas, esse filme é mais Justiceiro que qualquer outras das adaptações pelo simples fato de que, as escrotidões causadas por Castle são muito próximas as dos quadrinhos. E não são poucas: de acabar com um jantar da máfia italiana, com direito a afundar narizes com uma espécie de “cuz cuz” do E. Honda (quem se lembra desse golpe clássico do gordinho do sumô do ‘street fighter’?) até mesmo quebrar o pescoço de uma velha chiliquenta mulher de mafioso, passando por execuções sumárias com tiros de calibre 12 no rosto a destruir trocentos sujeitos integrantes da máfia que estavam em seu encalço.

Justiceiro: Zona de Guerra não é um dos melhores filmes de heróis produzidos pela editora Marvel, mas colocou o personagem nos eixos novamente, mostrando que mesmo com dificuldades (o filme pegou censura máxima nos Estados Unidos, para maiores de 18 anos, o que pode ter sido um dos motivos da baixa renda nos cinemas) é possível sim mostrar um filme quase tão fidedigno as origens quadrinescas. Lexi Alexander, a diretora desse longa tem sim méritos por esse filme, agora é esperar que ainda saiam outros, melhores. E que venham novos filmes…e que os direitos do Demolidor finalmente saiam da Sony e voltem para a Marvel, para termos um filme decente do Homem sem Medo.

Lucas Bonachovski, que é pacifista, mas se amarrou em ver o Justiceiro destruindo aquele monte de mafiosos com todo tipo de arma que encontrava pela frente.